AVALIAÇÃO DO PRIMEIRO ANO DE GESTÃO PAULO WANDERLEY
O MTA é formado por um grupo de torcedores alvirrubros que pensam o Náutico a partir de princípios elementares de governança corporativa. Temos a convicção de que o Clube Náutico Capibaribe somente se tornará uma agremiação sustentável, quando passarmos a gerir o clube de forma profissional, com um rígido controle administrativo e financeiro, transparência e uma auditoria Permanente.
O nosso compromisso com a sustentabilidade do Náutico, transcende grupos ou interesses particulares, pautamo-nos pelo entendimento de que, mesmo com a capacidade intelectual, financeira e empresarial de grandes colaboradores, pouco se fez até o presente momento para mudar a filosofia administrativa do clube. O modelo é o mesmo de sempre, sem conseguir enxergar e transpor determinados paradigmas, o que conduz a uma estagnação de ideias e propósitos que inibem o alcance de objetivos mais consistentes e duradouros.
Nas últimas eleições tivemos a grata satisfação de contar com o apoio de cerca de 30% dos votos válidos. Foram sócios que entenderam a nossa proposta e que nos motivaram a continuar com o projeto de mudanças para o nosso clube. É em respeito a todos aqueles que pensam um Náutico diferente que faremos uma retrospectiva desse primeiro ano de gestão, revivendo um pouco dos compromissos dos atuais administradores e de suas realizações.
AS PROMESSAS DE CAMPANHA
Os compromissos de campanha da atual gestão foram muitos, porém tudo não passou de uma mera expressão de vontade naquele momento, com o único objetivo de se contrapor a um projeto mais amplo e consistente elaborado pelo MTA, conforme demonstramos a seguir.
a) Desempenho no futebol
Das propostas podemos lembrar ao menos uma, “Rígidos critérios nas contratações e nos gastos com o futebol”. Na prática, no entanto, o quadro foi completamente diferente daquilo que foi prometido.
O primeiro semestre de 2012 transcorreu apenas com insucessos. Foram contratados 16 jogadores – Cascata, Siloé, Henrique, Marquinhos, Souza, Jeférson, Ronaldo Conceição, Dorielton, Jailton, Leo Santos, Rodrigo Tiuí, Felipe, Tozo, Ramon, César Marques e Ramirez - que não corresponderam às expectativas dos torcedores. Com pífio desempenho no Campeonato Pernambucano (quarto lugar), ficamos fora da Copa do Nordeste. Na Copa do Brasil, fomos eliminados de forma contundente pelo Fortaleza, que aplicou uma goleada de 4x0 no primeiro jogo, provocando nossa eliminação do Torneio.
Dos jogadores contratados, apenas Souza e Felipe foram aproveitados para o Campeonato Brasileiro. Vieram mais 24 jogadores – Márcio Rosário, Alessandro, Martinez, João Paulo, Andrés Romero, Glaydson, Lúcio, Araújo, Cléverson, Jean Rolt, Rhayner, Breitner, Kim, Kieza, Rico, Patric, Alemão, Alison, Rogerinho, Dadá, Darley, Dimba, Josa e Reis – onerando, significativamente, nossa Folha com o Futebol, que, especula-se, passou a ser superior a dois milhões de reais por mês.
O índice de aproveitamento desses atletas, apesar de ainda ter sido baixo, foi, indiscutivelmente, muito superior ao do primeiro semestre, mas é importante lembrar que contratamos, ao longo do ano, um total de 40 jogadores, ou seja, quase 4 times de futebol. Jogadores de baixa qualidade, como Kim, Glaydson e Márcio Rosário, ganhavam salários exorbitantes. Por não corresponderem às expectativas, foram rescindidos os contratos de vários deles que, inclusive, saíram soltando farpas com o técnico.
A direção teve o mérito de nos manter na Primeira Divisão. Porém, o quarto aproveitamento como mandante e o pior como visitante, nos leva a concluir que o nosso gramado fez toda a diferença, fazendo com que atingíssemos a 12ª colocação e assegurando nossa participação na Copa Sul-Americana. Convém salientar que, dos jogadores contratados como apostas, apenas Rhayner e Patric deram certo. No entanto, não ficamos com nenhum dos dois.
b) Auditoria Independente
Na euforia da campanha foi prometido rígido controle das contas administrativas do clube com proposta de contratação da Ernst & Young para fazer uma auditoria permanente no clube, visando assessorar os Conselhos Fiscal e Deliberativo. O certo é que até o presente, nenhuma providência foi tomada nesse sentido. O conselho fiscal foi indicado e os seus componentes entregaram seus cargos e até o presente momento não temos nenhum retorno das contas 2010/2011 e 2012.
c) Sócios em Dia
A promessa de Campanha foi atingir 15.000 sócios em dia, chegando-se a falar em 30.000, uma meta audaciosa que ficou só na promessa, porque não houve um trabalho efetivo para se atingir este objetivo e chegamos em 2013 com menos sócios em dia do que ao final de 2010. O marketing do clube continua inoperante, e foi incapaz de contratar um patrocínio máster para dar mais consistência as nossas receitas e visibilidade ao nosso clube.
A atuação é tão ineficaz que até atividades simples como a festa de aniversário do clube redundou em prejuízos. Foi promovida uma enquete entre os torcedores para se definir a cor do quarto padrão do Náutico. Ao final, a votação foi pela cor cinza e o Marketing do clube com a empresa fornecedora do material optou pela cor verde água indo de encontro ao que foi realizado.
No que tange ao contrato com a ARENA a atuação é mais desastrosa ainda. Estamos prestes a bancar os jogos em um novo estádio e não temos nenhuma informação concreta para os sócios e torcedores. É imperdoável que não tenhamos ainda a definição de uma área reservada aos sócios em dia com o clube a exemplo do que acontece com os sócios nos aflitos. Também não se encontra clara a condição dos proprietários de cadeiras cativas. Tudo isso remete a uma confusão generalizada que inibe a participação mais efetiva do torcedor do Náutico.
É imperdoável a atuação tão desastrosa numa área de vital importância para o clube.
O QUE FEZ O MTA EM 2012?
O MTA durante o ano de 2012 acompanhou todo o desenrolar da atual administração. Demos um voto de confiança a atual gestão e o tempo suficiente para que as lideranças eleitas colocassem em pratica os seus projetos e que conduzissem o clube a uma situação administrativa e financeira sustentável. Esperávamos que os compromissos com as mudanças fossem se concretizar, afinal era prometido controle de gastos e auditoria permanente. Mas na realidade como vimos isso não aconteceu.
Iniciamos o ano de 2012 acompanhando o desenrolar nas negociações do passivo fiscal e trabalhista do clube. A nossa atuação no conselho deliberativo sempre foi de forma propositiva solicitando informações quanto a rescisões de contratos de técnicos e jogadores para evitar novos passivos, que minam a situação financeira do clube. Outros pedidos de informações foram realizados a exemplo da cópia do contrato de patrocínio com a PENALTY e sua aprovação no conselho deliberativo. E ainda um posicionamento formal ao conselho fiscal sobre a análise das prestações de contas de 2010/2011 que até o presente momento não foram analisadas pelo conselho fiscal e deliberativo do clube. Tudo isso sem obtermos resposta até o momento.
Também insistimos com a análise da mudança do estatuto e estivemos presentes em várias reuniões tentando consolidar um novo texto, necessário, para dinamizar o clube e seus instancias de poder, com vistas a torná-lo mais eficiente e próximo da realidade da atual legislação desportiva. “Entendemos que o conselho deliberativo deve exercer um papel preponderante na administração do clube. A ele deveria caber a definição do orçamento, a definição das metas e objetivos, o acompanhamento do passivo, sempre com o objetivo de delimitar a atuação do executivo com vistas a melhor atender as necessidades do clube”.
O assunto dos aflitos, inicialmente foi de grande ebulição. Foi criada uma Comissão e o que ficou demonstrado foi que alguns queriam vender o patrimônio alvirrubro, alegando o “boom” imobiliário, enquanto outros, como nós, defendiam um arrendamento de parte dos Aflitos para projetos arrojados de parceria que dessem perenidade às nossas receitas. O que é de se estranhar é a Direção do Náutico ter solicitado propostas a inúmeras empresas, sem a definição clara do modelo de negócio que desejamos para o Clube.
Então a maioria das propostas foi para a aquisição do patrimônio do clube. Em determinado momento, quando se estava prestes a concluir o trabalho da comissão, pela ineficácia das propostas de arrendamento, tivemos que nos posicionar em jornais de circulação, e em programas de rádio, como forma de nos contrapor a qualquer Projeto de Venda do nosso patrimônio.
Estivemos firmes no acompanhamento do desenvolvimento dos trabalhos da comissão que passaram alguns meses analisando as propostas de negócios para os aflitos e que culminou com a definição de no futuro se definir qual o tipo de negócio para os aflitos para a partir daí, se for o caso, abrirmos uma licitação com propostas do mercado. Continuamos atentos ao desenrolar do processo e, no momento oportuno, nos posicionaremos sobre o assunto.
Por fim queremos transmitir aos sócios e torcedores que continuaremos firmes no propósito de implantar no Clube Náutico Capibaribe um processo de governança Corporativa com o objetivo de integrar todas as instancias administrativas do clube, incluindo os órgãos de controle, alinhando os interesses de sócios e torcedores, conduzindo os dirigentes para práticas saudáveis de administração, com o objetivo claro de preservar e otimizar os valores do clube para o alcance de sua longevidade e sustentabilidade.
MTA – MOVIMENTO TRANSPARÊNCIA ALVIRRUBRA

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