Por ROBERTO VIEIRA
Era para ser futebol.
Era.
Tiro, gritaria, xingamentos, pedras voando.
O corpo no chão.
Guerra?
Estado de Sítio?
Sinto-me transportado aos anos 60.
Tempos de chumbo.
Mas era pra ser apenas um jogo de futebol.
Torcidas organizadas escoltadas.
Polícia transformada em segurança de arruaceiros.
O corpo no chão.
Sirenes.
Ambulância.
O futebol em segundo plano.
Poderia ser meu filho.
Ou o seu.
Poderia ser qualquer um de nós.
Tempos interessantes, diria Eric.
Lei Seca.
Ficha limpa.
Efeito estufa.
E tolerância 100 pra quem curte a violência explícita.
Para o marginal fantasiado de torcedor.
Para o facínora em pele de cordeiro.
Para o bandido gritando gol.
Sangue no asfalto da Rosa e Silva em Recife.
Asfalto que amanheceu tingido de vermelho.
Um vermelho acusando dirigentes, autoridades,
torcedores e sociedade.
Um vermelho que percorre a alma de quem deseja a paz.
Um vermelho que nos pergunta:
Até quando?
Caros amigos,
ResponderExcluirTolerância zero para o descaso, para falta de respeito a vida, para dirigentes que se locupletam do sistema para se alojar no poder indefinidamente, para comodidade de jogar em baixo do tapete um problema crônico. As gangues que encontraram no modelo das organizadas um ambiente fértil continuarão a existir. Não irão nos atormentar nos estádios em dias de jogos, mas irão nos atormentar nas entradas das escolas, bancos ou simplesmente quando formos dar um passeio. A falta de perspectivas leva a marginalidade. Achar que somente ação ostensiva nos livra do problema é bobagem. Trabalho ostensivo, capacitação da polícia que trata o problema, inteligência para identificar o transgressor, ação social e principalmente consequência. Identificar, julgar e punir com rigor. Para começar precisamos entender essa relação promíscua entre dirigentes e organizadas. Chico Avelar.
Brilhante texto, mais uma vez. Mas...não dará em nada. Como tenho dito, NÃO ACREDITO NO BRASIL, EM UM MÍSERO GRÃO DE AREIA QUE PISO POR AQUI.
ResponderExcluirobs: não que "lá fora" seja um mar de rosas. Não é. Mas é outro planeta (a favor, positivo) em relação aqui.
Newton Pinheiro