Júlio
Jessum de Carvalho*, mais conhecido como Julinho, nasceu em
Mossoró-RN. Craque que jogava para a equipe, Julinho foi descoberto
por Rubem Moreira no futebol potiguar atuando pelo Humaitá.
A sua
vinda para o América-PE gerou uma guerra entre os dirigentes locais
e a torcida, inconformada com a perda do ídolo.
O que pouca gente
lembra é que Julinho só veio para Pernambuco com a promessa solene
que Rubem Moreira fez a sua família: o pagamento de pensão e
mensalidades no Ginásio Pernambucano, afamado educandário do
Recife.
Sem bancar a educação do garoto, o América-PE nem veria a
cor do seu futebol.
O
dinheiro gasto com a pensão e os estudos do rapaz se pagou em dobro.
Meia-direita de estilo inconfundível, Julinho brilhou na companhia
de Zezinho, Djalma, Edgar e Oséas, formidável linha atacante campeã
de 1944.
Os anos se passaram, até que em 1948 uma briga explode nos
bastidores do América: o craque Julinho se afasta do clube com
contrato em vigor. O América quer conversar. Julinho deseja comprar
seu passe. O clube denuncia o jogador a Federação. Julinho não
está nem aí.
Na guerra interna, o companheiro e substituto
imediato, Palito, se manda para a Paraíba em férias. Procópio, o
terceiro reserva é escalado para o clássico contra o Sport. Depois
de muita conversa, Julinho volta ao time sob o aplauso dos manda
chuvas esmeraldinos. Deseja encerrar a carreira no clube do seu
coração.
Em
1950, a pedido do dirigente José Moreira, Julinho deixa o gramado de
lado e assume a direção técnica do América. O início é
promissor com vitórias contra os clubes pequenos e um triunfo sobre
o surpreendente Madureira, clube carioca que estava invicto durante
excursão diante dos outros três grandes pernambucanos.
Logo depois,
o time comandado por Julinho assumia a ponta no estadual. A glória
como treinador dura pouco.
O destino de Julinho era outro.
Como
estudante, o craque se tornou Dr. Júlio, advogado famoso, nas bancas
da Faculdade de Direito do Recife.
No
dia 14 de novembro de 2004, quase sessenta anos depois da conquista
do último título estadual pelo América, Júlio Jessum de Carvalho
se despediu dos gramados da vida e entrou na história.
*Júlio
Gérson de Carvalho é a grafia encontrada em célebre entrevista de
Julinho na Gazeta Esportiva de 1942. Em 2004, quando de artigo
publicado pelo falecimento do craque, o médico e escritor Lucídio
José de Oliveira reconciliou o futebol com o nome verdadeiro do craque: Júlio Jessum de Carvalho.

Sempre pensei que fosse Júlio Jésum - assim com um só "s". Mas o Mestre Lucídio deve estar certo. Como sempre. O mais importante é ter tido a ventura de ver Julinho jogar. Com sua classe e elegância. A cara do América...
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