28 de fev. de 2013




Alguns Mestres podem ter achado estranhos os posts sobre o adeus dos grandes craques. Mas tudo faz parte da homenagem ao grande e inesquecível Djalma... de quem sinto muita e profunda saudade... ele que sempre foi tão gentil ao dividir suas lembranças e grandeza.





Por ROBERTO VIEIRA        



Neste sábado, 2 de março, as cinzas do antigo goleiro Djalma, último remanescente do Clube Náutico Capibaribe, campeão estadual de 1939 e da Seleção Pernambucana treinada por Adhemar Pimenta naquele mesmo ano, serão lançadas ao vento no Estádio dos Aflitos.

Este foi o último pedido do goleiro... e um fato inédito na história do futebol mundial. Um exemplo de amor e paixão que pertence a um outro tempo, a um outro futebol...


Era um tempo de paixões eternas.

O amor era verdadeiro e derradeiro.

O coração não se permitia adeus.

Adeus, apenas o definitivo e solitário adeus.

Adhemar Pimenta pôs os olhos no garoto alto, espigado.

Um metro e noventa de coragem e perspicácia.

Ali estava o goleiro da seleção pernambucana.

O calmo santo milagreiro de Rosa e Silva.

Contra Pedros e Vicentes.

Lá se foi Djalma agarrando tudo na Veneza Americana.

Era um tempo de paixões eternas.

Pernambuco na semifinal do Brasileiro de Seleções.

Distrito Federal.

O pai de Djalma se assusta.

Fluminense e Botafogo desejam o rapaz.

Djalma apaixonado pelo Náutico.

Djalma pendura as defesas e abandona o futebol.

Casamento e trabalho o levam pelo mundo afora.

Sério.

Compenetrado.

Educado e refinado rapaz.

Mas o coração recorda pelas noites os clássicos.

Fernando, Artur, Zezé, Celso, Salsas e as valsas na conquista de 1939.

Idade, filhos e netos chegam.

Djalma sorri feliz.

Música, amigos, vida minha vida.

Os companheiros de futebol vão partindo.

Os olhos marejam.

O destino é indefensável.

Djalma se torna o último remanescente dos anos 30.

O último atleta que atuou antes da II Grande Guerra.

Testemunha e verbo da história.

Cabelos brancos.

Olhar penetrante.

Cercado do amor da família.

Djalma volta para viver perto do clube querido.

Até que um dia.

Djalma também se tornou memória.

A paixão virou palavra desleixada, simplória.

Ninguém ama mais por toda a eternidade.

Ninguém?

Não se sabe.

Sabe-se apenas que o imortal Djalma Cristiano Gomes.

Djalma deixou um pedido.

Desejava que as suas cinzas fossem espalhadas pelo Estádio dos Aflitos.

Sonhava em ter sua lembrança na antiga praça de esportes.

Para que seu olhar na eternidade.

Se confundisse com o suor, as lágrimas e a paixão dos seus antigos companheiros.

Um gesto tão inédito e belo que não pertence ao nosso tempo.

Puskas repousa numa Basílica húngara.

Fritz Walter sob o retrato de sua esposa.

Yashin tem o túmulo na fria Moscou.

Stanley Matthews possui suas cinzas.

Sob o Estádio do Stoke City.

Mas apenas Djalma.

Apenas Djalma será personagem do tempo e do vento.

Voando para sua última e magistral defesa.

O último cavaleiro da paixão infinita e singela dos campos de futebol...






4 comentários:

  1. UM TEXTO DIGNO DO SIMBOLISMO E DA BELEZA DO DERRADEIRO GESTO DE DJALMA !

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  2. Obrigado, Mestre... vindo de você tem um significado pra ficar guardado no lado esquerdo e alvirrubro do peito...

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  3. Parabéns, Mestre Roberto, pela magnífica homenagem ao grande goleiro Djalma, exemplo de amor e dedicação ao nosso Náutico.

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  4. Djalma ficatá em nossa memória como símbolo do atleta que se confunde com o clube, jogador na linhagem de um Ivanildo Souto Cunha, um Célio Araraquara, um Caiçara, um Ivan Brondi de Carvalho, um Salomão Couto, um Baiano, um Kuki, um Sangaletti, jogadores que são nome, são lembranças. Jogadores a servir de exemplo para os que vão chegando, os nais jovens.

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Comentários