Alguns Mestres podem ter achado estranhos os posts sobre o adeus dos grandes craques. Mas tudo faz parte da homenagem ao grande e inesquecível Djalma... de quem sinto muita e profunda saudade... ele que sempre foi tão gentil ao dividir suas lembranças e grandeza.
Por ROBERTO VIEIRA
Neste sábado, 2
de março, as cinzas do antigo goleiro Djalma, último remanescente
do Clube Náutico Capibaribe, campeão estadual de 1939 e da Seleção
Pernambucana treinada por Adhemar Pimenta naquele mesmo ano, serão
lançadas ao vento no Estádio dos Aflitos.
Este foi o último
pedido do goleiro... e um fato inédito na história do futebol
mundial. Um exemplo de amor e paixão que pertence a um outro tempo,
a um outro futebol...
Era um tempo de paixões
eternas.
O amor era verdadeiro e
derradeiro.
O coração não se
permitia adeus.
Adeus, apenas o
definitivo e solitário adeus.
Adhemar Pimenta pôs os
olhos no garoto alto, espigado.
Um metro e noventa de
coragem e perspicácia.
Ali estava o goleiro da
seleção pernambucana.
O calmo santo
milagreiro de Rosa e Silva.
Contra Pedros e
Vicentes.
Lá se foi Djalma
agarrando tudo na Veneza Americana.
Era um tempo de paixões
eternas.
Pernambuco na semifinal
do Brasileiro de Seleções.
Distrito Federal.
O pai de Djalma se
assusta.
Fluminense e Botafogo
desejam o rapaz.
Djalma apaixonado pelo
Náutico.
Djalma pendura as
defesas e abandona o futebol.
Casamento e trabalho o
levam pelo mundo afora.
Sério.
Compenetrado.
Educado e refinado
rapaz.
Mas o coração recorda
pelas noites os clássicos.
Fernando, Artur, Zezé,
Celso, Salsas e as valsas na conquista de 1939.
Idade, filhos e netos
chegam.
Djalma sorri feliz.
Música, amigos, vida
minha vida.
Os companheiros de
futebol vão partindo.
Os olhos marejam.
O destino é
indefensável.
Djalma se torna o
último remanescente dos anos 30.
O último atleta que
atuou antes da II Grande Guerra.
Testemunha e verbo da
história.
Cabelos brancos.
Olhar penetrante.
Cercado do amor da
família.
Djalma volta para viver
perto do clube querido.
Até que um dia.
Djalma também se
tornou memória.
A paixão virou palavra
desleixada, simplória.
Ninguém ama mais por
toda a eternidade.
Ninguém?
Não se sabe.
Sabe-se apenas que o
imortal Djalma Cristiano Gomes.
Djalma deixou um
pedido.
Desejava que as suas
cinzas fossem espalhadas pelo Estádio dos Aflitos.
Sonhava em ter sua
lembrança na antiga praça de esportes.
Para que seu olhar na
eternidade.
Se confundisse com o
suor, as lágrimas e a paixão dos seus antigos companheiros.
Um gesto tão inédito
e belo que não pertence ao nosso tempo.
Puskas repousa numa
Basílica húngara.
Fritz Walter sob o
retrato de sua esposa.
Yashin tem o túmulo na
fria Moscou.
Stanley Matthews possui
suas cinzas.
Sob o Estádio do Stoke
City.
Mas apenas Djalma.
Apenas Djalma será
personagem do tempo e do vento.
Voando para sua última
e magistral defesa.
O último cavaleiro da
paixão infinita e singela dos campos de futebol...


UM TEXTO DIGNO DO SIMBOLISMO E DA BELEZA DO DERRADEIRO GESTO DE DJALMA !
ResponderExcluirObrigado, Mestre... vindo de você tem um significado pra ficar guardado no lado esquerdo e alvirrubro do peito...
ResponderExcluirParabéns, Mestre Roberto, pela magnífica homenagem ao grande goleiro Djalma, exemplo de amor e dedicação ao nosso Náutico.
ResponderExcluirDjalma ficatá em nossa memória como símbolo do atleta que se confunde com o clube, jogador na linhagem de um Ivanildo Souto Cunha, um Célio Araraquara, um Caiçara, um Ivan Brondi de Carvalho, um Salomão Couto, um Baiano, um Kuki, um Sangaletti, jogadores que são nome, são lembranças. Jogadores a servir de exemplo para os que vão chegando, os nais jovens.
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