5 de jan. de 2013







Por ROBERTO VIEIRA


Quando todos esperam o sim?

Não.

Quando todos esperam de joelhos?

Olhos no horizonte.

Quando todos são reais?

O sonho.

Quando tudo parece fácil?

O caminho mais difícil.

Quando te prometem a liberdade das masmorras?

Prisão perpétua.

Pois nenhuma prisão é pior que nós mesmos.

Quando todos nos julgam curados?

Doença.

A incurável doença de amar a vida lá fora.

É.

Seria bem mais confortável a mansidão das salas de jantar.

O conforto do abraço convicto.

A lápide familiar entre lápides familiares.

Mas o livro do destino reservou a planície deserta.

O pó.

A solidão da busca infinita pela resposta que não existe.

O menino olha pelas janelas na noite de Natal.

Paz.

Velas.

O menino imagina paz e velas.

Mas paz e velas não há.

Paz e velas são outros Natais de outras pessoas.

Uma mão oferece o pão.

Outra mão, a liberdade.

Faminto.

O menino agarra a liberdade e sai pela vida.

Sozinho.

Espírito.

Sorrindo...


* Ao meu querido Charles Dickens





A música?

A imortal 'Solsbury Hill' de Peter Gabriel...


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