19 de jan. de 2013





Por ROBERTO VIEIRA



A velhinha enganou todo mundo. Os cabelos revoltos e brancos lutam contra o vento na Florida. Summertime. Quem vê a gentil senhora fumando seu cigarro na calma avenida a beira mar não reconhece o furacão dos anos 60.

Janis havia cansado dos shows, dos amantes, das noites acordando nas espeluncas entre agulhas e haxixe. Dinheiro não era problema. Um pouco de erva era fácil de achar. Janis morreu de mentira naquele 1970, quando a música estava acabando de morrer de verdade.

E ela saiu perambulando pelo mundo. Esteve no Brasil, mas a barra estava pesada demais pra quem tinha cabelos longos e o sorriso irônico. Bateu perna pela velha Europa a tempo de enterrar o amigo Jim, morto numa banheira, gordo e decadente. Paris só podia servir de túmulo para os poetas. Era a mesma velharia dos anos 30.

Londres tinha os Stones. Janis ria quando via Jagger rebolando no palco pra descolar algum trocado. Lá ela se encontrou com um brasileiro barbudo e doidão chamado Raul. Era incrível, mas o carinha era mais doido que ela nos velhos tempos.

Suécia. ABBA. Mulheres louras nuas nas praias. Outras rezando nas igrejas centenárias. Janis se apaixonou por Frank, negro cubano que tocava jazz na noite de Estocolmo. Passaram juntos dois anos, mas Janis nunca lhe contou sobre seu passado e Frank nunca quis saber. Tudo que ele queria ela lhe dava na madrugada quando a noite durava dias e dias e dias.

Dancin’ queen. Era melhor assim. Frank se despediu. Janis pegou as malas e voltou para os EUA de Nixon e Ford. Comprou a velha casa cor de rosa na Florida. Plantou orquídeas e margaridas. De vez em quando botava um disco pra tocar.

E assim ela viveu até hoje.

Cercada, literalmente, de gatos e flores.

Achando graça nos fãs que choram todos os anos sua morte.






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