2 de dez. de 2012








Por ROBERTO VIEIRA



Os clássicos fazem parte da história e do futebol. Futebol nascido com o clássico entre a Inglaterra e Escócia no dia 30 de novembro de 1872. Aliás, um discreto 0 x 0.

Os clássicos do futebol são como os clássicos na música, na pintura, na literatura. Inesquecíveis, improváveis. Você só conhece o final quando chega ao último parágrafo, na última pincelada, no derradeiro apito do juiz. Mesmo assim, segue discutindo cada frase, cada lance, cada intenção do autor, pelo resto de sua vida.

Os grandes clássicos do futebol chegaram na América do Sul no dia 15 de julho de 1900. Em um amistoso entre Peñarol e Nacional de Montevidéu. Jogo encerrado com a vitória do Peñarol por 2 x 0. Quatro anos depois, os clássicos cruzavam o Rio da Prata e aportavam em Buenos Aires. O Racing encaçapava o River Plate por 3 x 0 no dia 11 de junho de 1904.

As vitórias do Racing e do Peñarol foram comemoradas previsivelmente pelos seus jogadores e torcedores. Imprevisível foi a continuação da história, estabelecendo um ritual de ódio, inveja e cumplicidade entre os adversários.

Mas pensando bem, até que não era tão imprevisível assim. A história de um grande clube em pouco difere da história de uma grande nação. Há uma exigência permanente de vitórias e desafios. Uma boa rivalidade é essencial.

O Brasil, terra do futebol, não poderia ficar de fora deste teatro. E veio o Clássico Vovô em 1905, com a goleada de 6 x 0 do Fluminense sobre o jovem Botafogo. Quatro anos depois, outra goleada, do Grêmio sobre o guri Internacional: 10 x 0. Goleadas que deixaram cicatrizes nos derrotados. Cicatrizes fundamentais para o seu crescimento.

Eis que uma semana depois do primeiro Grenal, surge o terceiro clássico mais antigo do Brasil: O Clássico dos Clássicos. O primeiro clássico que nasceu com uma grande zebra. Um resultado que ninguém esperava.

O Sport Club do Recife era franco favorito. Mas foi surpreendido pelo rival alvirrubro com um placar de 3 x 1 no dia 25 de julho de 1909.

O resultado foi uma zebra para os padrões da época. Tornou uma simples disputa entre amigos em um Clássico dos Clássicos. Partida multiplicada através de um século.

Em 100 anos de Clássicos dos Clássicos, Náutico e Sport se defrontaram 512 vezes.

Finalizando, talvez a lição mais importante que podemos deduzir da história destes clássicos, seja de natureza diversa.

É curioso notar o modo como transcorriam os finais das pelejas no passado. Sem exceção, na Inglaterra, em Montevidéu, Buenos Aires ou Rio de Janeiro, São Paulo e Recife, os adversários se confraternizavam. Entravam pela noite comentando os melhores lances, dividindo a mesa e as danças. Cientes de uma verdade infinita:

O rival no campo de jogo era o amigo na vida que seguia.

Porque não existe clássico verdadeiro sem um Oscarito e um Grande Otelo...



0 comentários:

Postar um comentário

Comentários