Entre
os objetos mais importantes para escrever a história do América, um
ocupa espaço de grande importância nas mãos do Sr. Teófilo: a
bola do último jogo do América na primeira divisão pernambucana em
1995.
Como
se a CBF guardasse a bola que ultrapassou os punhos de Barbosa em
1950, ou mesmo a bola golpeada pelo carrasco Paolo Rossi no Sarriá
em 1982, o balão de couro preto e branco com a data, quase apagada,
do jogo de 1995, tornou-se símbolo de uma fé imorredoura.
Não
que 1995 tenha caído do espaço sideral como meteoro. Os sinais de
fumaça bandas do América já vinham sendo emitidos na década de
90. Em 1992, o presidente Enoque Genuíno já lutava para acabar com
o futebol americano. Em 1993, o estádio Jefferson de Freitas estava
impraticável, o presidente José Moreira lutava e não conseguia
patrocinadores. Em 1995 a coisa já estava preta para o alviverde.
O
domingo, 2 de julho, amanheceu pensando no Clássico das Emoções.
Mas emoção mesmo aconteceria em dois jogos aparentemente
despretensiosos: Estudantes x Central e Vitória x América do
segundo turno estadual.
O
América levava vantagem de dois pontos sobre o Estudantes de
Timbaúba: 12 x 10. Pelo regulamento, os dois últimos colocados na
classificação geral cairiam para a Série B do estadual. Pra
completar, havia ainda um jogo entre as equipes depois desta rodada,
partida adiada por duas vezes durante o certame. Pra maior
tranquilidade americana, a lembrança da vitória no meio de semana
sobre o Central.
Campo
enlameado, uma tempestade caíra sobre Vitória de Santo Antão, jogo
começando mais cedo – incrivelmente o prélio foi preliminar de
Ipiranga x Arizpiranga, decisão do torneio da cidade - gol foi
o que não faltou entre América e Vitória. O América venceu com
garra por 3 a 2, sendo o herói do dia o artilheiro Isaac com três
gols.
Mas
a luta continuava e, no dia 5 de julho, o Náutico enfiava impiedoso
5 a 0 no América com dois gols de Niquinha complementados por Lau,
Jefferson e Lúcio Vagner, acendendo novamente a luz vermelha na
Estrada do Arraial. O América perde também do Ypiranga, revelação
do campeonato: 2 a 1 dentro dos Aflitos. Ypiranga que atuou todo o
segundo tempo com um jogador a menos devido a expulsão do lateral
Edevil. Menos mal que o Estudantes perde do Destilaria e deixa tudo
como estava antes: Central e América têm 6 pontos, o Vitória está
com 4 e o Estudantes com 2. América e Estudantes com um jogo a
menos.
Só
que o América do arqueiro Pimentinha gostava de viver perigosamente.
No jogo remarcado contra o Estudantes, derrota por 2 a 0 com gols de
Mano e Mauro. No final da partida, o técnico esmeraldino Marcos
Costa estava de calculadora na mão:
“Ainda
dá!”
Só
que os resultados diziam outra coisa. O Estudantes fechou o caixão
do Vitória com um magro 1 a 0 e o Porto massacrou o América por 5 a
0 no estádio Antônio Inácio com portões abertos.
Chegou
o Dia D. Na Ilha do Retiro, mil torcedores foram presenciar o jogo da
morte entre América e Estudantes, uma extra para decidir quem cairia
para a segunda divisão do pernambucano. Um 19 de julho inesquecível.
O
técnico Marcos Costa comandou o time das arquibancadas – estava
suspenso. Em campo, Pimentinha (Sandro); Nilton (Clodoaldo) , Jean
Pierre, Evaldo e Peu; Haroldo, Henrique e Lira; Paulo César (Eric),
Jailton e Alexandre deram show. O presidente José Moreira chorou ao
final do espetáculo, uma sensacional goleada do América por 4 a 0
com direito a três gols do artilheiro Jailton.
Mas
espera aí! O América não caiu naquele ano!!??
Pois
é, meus amigos. O América não caiu em campo. A queda do América
se deu nos bastidores.
Em
janeiro de 1996, o campeonato estadual prestes a se iniciar, o
presidente da FPF, Carlos Alberto Oliveira, observa com tristeza que
o América não tem condições de participar do certame. O único
candidato a presidente do clube, Sr. Dorgival Henriques, chegou a
apelar a Igreja Universal do Reino de Deus em busca de patrocínio. A
equipe entraria em campo com o nome da Igreja em seu uniforme.
Mas
a ideia não foi capaz de ressuscitar o glorioso Campeão do
Centenário. Derrotado pela História, trazendo como dirigentes José
Moreira, Sérgio Serpa, Paulo Mendes, Sandrinélson Ferrão e Alfeu
Santiago, grandes e solitários americanos, a realidade de um clube
afastado de suas raízes era maior que a paixão.
E
foi assim, sem choro nem vela, a primeira queda do América.
Uma
queda que nunca existiu...

Tenho uns arquivos do Diario de Pernambuco que afirmam que o América junto com a Prefeitura de Olinda ainda tentaram organizar o que hoje é o Olindão (em Jardim Brasil) em Estádio para que o América pudesse participar do Pernambucano de 1996...
ResponderExcluirE se eu não me engano, o América se licenciou em 1996 por conta da sua crise financeira e tentou voltar em 1997 na Serie A1. A resposta foi um tremendo NÃO do Conselho.
Resumindo, se a situação do América já tava preta, ficou ainda pior nos próximos 15 anos após o "rebaixamento"...
lembro dessa época, excelente matéria, vivi essa época de 1995 e hoje tenho orgulho de ter vestido a camisa do AMÉRICA.
ResponderExcluirassinado:; JAILTON
VIVI ESSA ÉPOCA COM MUITO ORGULHO EM TER VESTIDO A CAMISA DO AMÉRICA
ResponderExcluir