A
chegada ao Santa Cruz de Moacir Barbosa, goleiro vice-campeão
mundial em 1950, foi apoteose comparada a chegada de Dario,
tricampeão mundial ao Sport nos anos 70. Barbosa desencadeou o
nascimento do Eldorado estadual, período que vai de 1955 a 1959,
caracterizado por grandes contratações e evolução do futebol
pernambucano dentro e fora do gramado.
Barbosa
teve participação excelente no arco tricolor. Campeão do Torneio
Início de 1956, o veterano arqueiro também conquistou o Torneio
Pernambuco-Bahia, octogonal que mobilizou as duas grandes nações
nordestinas. Esta foi a maior conquista interestadual da história do
Santa Cruz.
Porém,
após uma vitória do Santa Cruz diante do Flamengo-RJ, Barbosa
começa a receber propostas para retornar ao futebol carioca,
comunicando o fato aos dirigentes corais. Os jornais entraram na
conversa alardeando que goleiro não via a hora de retornar ao
Maracanã. No meio dessa confusão, surge o terrível clássico do
dia 3 de junho de 1956 diante do América.
A
goleada de 6 a 3 do América sobre o Santa Cruz não foi fruto do
acaso. O ataque esmeraldino comandado por Dimas, Celly e Mitchell era
formidável. Um carioca, um argentino e um holandês do Suriname
jogando barbaridade. Terminada a peleja, a torcida tricolor, cabeça
quente pela sova e pelas manchetes dos diários, partiu para linchar
o antigo craque vascaíno. Durante alguns momentos a tragédia
parecia iminente. Foi quando o dirigente Aristófanes de Andrade
salvou a pele de Barbosa saindo em disparada no seu veículo com o
arqueiro a tiracolo.
Foi
o ato mais absurdo da histórica paixão tricolor; a negação de um
ídolo que trouxera alegria e fama ao clube do Arruda. Um momento que
só pode ser entendido pela loucura súbita que atinge o coração
de cada torcedor de futebol. Aquela foi a despedida de Barbosa do
futebol pernambucano; ele seria campeão do Rio-São Paulo pelo Vasco
da Gama em 1956, ao lado dos pernambucanos Almir e Vavá, além de
supercampeão carioca de 1958.
Como
a história se repete, alguns dias depois o fato se repetiu com as
cores americanas. O Náutico goleou o América por 7 a 3, e o ídolo
Leça, maior goleiro da história do clube esmeraldino virou o
'Barbosa' da vez.
NOTA DO AUTOR - A trajetória de Barbosa no futebol pernambucano poderá ser lida no livro 'Nos Tempos do Barbosa', do mesmo autor, o próximo a ser publicado aqui no Blog.

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