17 de nov. de 2012







A chegada ao Santa Cruz de Moacir Barbosa, goleiro vice-campeão mundial em 1950, foi apoteose comparada a chegada de Dario, tricampeão mundial ao Sport nos anos 70. Barbosa desencadeou o nascimento do Eldorado estadual, período que vai de 1955 a 1959, caracterizado por grandes contratações e evolução do futebol pernambucano dentro e fora do gramado.

Barbosa teve participação excelente no arco tricolor. Campeão do Torneio Início de 1956, o veterano arqueiro também conquistou o Torneio Pernambuco-Bahia, octogonal que mobilizou as duas grandes nações nordestinas. Esta foi a maior conquista interestadual da história do Santa Cruz.

Porém, após uma vitória do Santa Cruz diante do Flamengo-RJ, Barbosa começa a receber propostas para retornar ao futebol carioca, comunicando o fato aos dirigentes corais. Os jornais entraram na conversa alardeando que goleiro não via a hora de retornar ao Maracanã. No meio dessa confusão, surge o terrível clássico do dia 3 de junho de 1956 diante do América.

A goleada de 6 a 3 do América sobre o Santa Cruz não foi fruto do acaso. O ataque esmeraldino comandado por Dimas, Celly e Mitchell era formidável. Um carioca, um argentino e um holandês do Suriname jogando barbaridade. Terminada a peleja, a torcida tricolor, cabeça quente pela sova e pelas manchetes dos diários, partiu para linchar o antigo craque vascaíno. Durante alguns momentos a tragédia parecia iminente. Foi quando o dirigente Aristófanes de Andrade salvou a pele de Barbosa saindo em disparada no seu veículo com o arqueiro a tiracolo.

Foi o ato mais absurdo da histórica paixão tricolor; a negação de um ídolo que trouxera alegria e fama ao clube do Arruda. Um momento que só pode ser entendido pela loucura súbita que atinge o coração de cada torcedor de futebol. Aquela foi a despedida de Barbosa do futebol pernambucano; ele seria campeão do Rio-São Paulo pelo Vasco da Gama em 1956, ao lado dos pernambucanos Almir e Vavá, além de supercampeão carioca de 1958.

Como a história se repete, alguns dias depois o fato se repetiu com as cores americanas. O Náutico goleou o América por 7 a 3, e o ídolo Leça, maior goleiro da história do clube esmeraldino virou o 'Barbosa' da vez.

NOTA DO AUTOR - A trajetória de Barbosa no futebol pernambucano poderá ser lida no livro 'Nos Tempos do Barbosa', do mesmo autor, o próximo a ser publicado aqui no Blog. 



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