16 de nov. de 2012







Quando o técnico Palmeira assume o América em 1955, um sopro de esperança toma conta da torcida esmeraldina. Campeão pelo Náutico, Sport e Santa Cruz, Palmeira faria de tudo para conseguir o inédito feito de levantar a taça de campeão pernambucano pelos quatro grandes da capital.

O início não foi nada auspicioso. Em Campina Grande, diante da tradicional equipe do Treze, o América chegou a abrir o marcador com Mitchel, porém sucumbiu a pressão da torcida no estádio Presidente Vargas, sofrendo a virada em tentos de Buarque, Josias e Mário para os paraibanos. De bom, a notícia de que Macaquinho aceitara a renovação do contrato com a diretoria esmeraldina.

Na volta ao Recife, Palmeira botou a rapaziada pra treinar de olho no Torneio Início. A cidade vivia a euforia de ter um candidato a presidência da república: Etelvino Lins. O antigo cacique da política local era apoiado pela UDN de Carlos Lacerda e Afonso Arinos. Lacerda aproveitou a deixa, incendiando a multidão no centro do Recife ao proclamar: “Deem-nos um homem do Nordeste para governar os do Sul!”. Parecia que os dias de corrupção estavam contados, tal a euforia dos oradores. O mineiro Juscelino Kubitschek, do PSD, era considerado carta fora do baralho, incompatibilizado com João Goulart e com o PTB getulista.

Nesse clima de euforia política, o América de Palmeira encarou o Torneio Início de 1955, um dos mais fortes da nossa história, começando pelo fato de que não havia time fraco em Pernambuco. A importação de craques e o aparecimento de grandes jogadores em nossa terra, contribuíram para fazer do período situado entre 1955 e 1958, o grande Eldorado do desporto local.

8 de maio de 1955, Ilha do Retirado apinhada de gente, penetras em número recorde, Federação e cronistas irados – era dinheiro demais fugindo dos bolsos. O Santa Cruz decepcionou perdendo para o Íbis, em partida arbitrada por Sherlock. O Sport não ficou atrás e perdeu para o Estudantes, em prélio apitado por Anísio Morgado. Mas se a dupla de tricolores e rubro-negros saíram de cara, Náutico e América demonstraram todo seu poderio chegando na grande final. O América venceu alinhando Miguel; Pertinha e Antoninho; Claudionor, Gilberto Faria e Mourão; Jarbas, Moacir, Mitchell, Dario e Gilberto Segundo. O Náutico, que havia poupado a dupla de zaga Caiçara e Lula para a reta final, formou com Celso; Caiçara e Lula; Ivanildo, Gago e Edmilson; Guedes, Hamilton, Djalma, Rubinho e Jorginho.

O craque do Torneio foi o holandês Mitchell, atleta do Suriname, importado pelo América e descoberto pelo técnico Palmeira, o qual no pequeno espaço de tempo permitido pelas regras do certame, balançou por três vezes as redes adversárias. 



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