Quando
o técnico Palmeira assume o América em 1955, um sopro de esperança
toma conta da torcida esmeraldina. Campeão pelo Náutico, Sport e
Santa Cruz, Palmeira faria de tudo para conseguir o inédito feito de
levantar a taça de campeão pernambucano pelos quatro grandes da
capital.
O
início não foi nada auspicioso. Em Campina Grande, diante da
tradicional equipe do Treze, o América chegou a abrir o marcador com
Mitchel, porém sucumbiu a pressão da torcida no estádio Presidente
Vargas, sofrendo a virada em tentos de Buarque, Josias e Mário para
os paraibanos. De bom, a notícia de que Macaquinho aceitara a
renovação do contrato com a diretoria esmeraldina.
Na
volta ao Recife, Palmeira botou a rapaziada pra treinar de olho no
Torneio Início. A cidade vivia a euforia de ter um candidato a
presidência da república: Etelvino Lins. O antigo cacique da
política local era apoiado pela UDN de Carlos Lacerda e Afonso
Arinos. Lacerda aproveitou a deixa, incendiando a multidão no centro
do Recife ao proclamar: “Deem-nos um homem do Nordeste para
governar os do Sul!”. Parecia que os dias de corrupção estavam
contados, tal a euforia dos oradores. O mineiro Juscelino Kubitschek,
do PSD, era considerado carta fora do baralho, incompatibilizado com
João Goulart e com o PTB getulista.
Nesse
clima de euforia política, o América de Palmeira encarou o Torneio
Início de 1955, um dos mais fortes da nossa história, começando
pelo fato de que não havia time fraco em Pernambuco. A importação
de craques e o aparecimento de grandes jogadores em nossa terra,
contribuíram para fazer do período situado entre 1955 e 1958, o
grande Eldorado do desporto local.
8
de maio de 1955, Ilha do Retirado apinhada de gente, penetras em
número recorde, Federação e cronistas irados – era dinheiro
demais fugindo dos bolsos. O Santa Cruz decepcionou perdendo para o
Íbis, em partida arbitrada por Sherlock. O Sport não ficou atrás e
perdeu para o Estudantes, em prélio apitado por Anísio Morgado. Mas
se a dupla de tricolores e rubro-negros saíram de cara, Náutico e
América demonstraram todo seu poderio chegando na grande final. O
América venceu alinhando Miguel; Pertinha e Antoninho; Claudionor, Gilberto
Faria e Mourão; Jarbas, Moacir, Mitchell, Dario e Gilberto Segundo.
O Náutico, que havia poupado a dupla de zaga Caiçara e Lula para a
reta final, formou com Celso; Caiçara e Lula; Ivanildo, Gago e
Edmilson; Guedes, Hamilton, Djalma, Rubinho e Jorginho.
O
craque do Torneio foi o holandês Mitchell, atleta do Suriname,
importado pelo América e descoberto pelo técnico Palmeira, o qual
no pequeno espaço de tempo permitido pelas regras do certame,
balançou por três vezes as redes adversárias.

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