6 de nov. de 2012




TROFÉU DO CENTENÁRIO




O América era favorito ao título extraordinário de Campeão do Centenário da Independência. Porém, o que era lógico foi se desfazendo nas chuvas de julho, com jogos adiados e a derrota inesperada diante do Torre – um gol solitário de Hermógenes em tarde inspirada. Além de tudo, havia os oito minutos que ficaram pendentes da estreia do alviverde no campeonato contra o Sport.

O América marcara duas vezes com Araújo e Merinha. Os rubro negros descontaram com Péricles, no entanto, a luz do dia disse adeus quando faltavam oito minutos para se encerrar o tempo regulamentar. A partida foi postergada diversas vezes até se transformar nos famosos 'oito minutos' do dia 25 de novembro de 1922.

Dias antes daqueles famosos oito minutos, o América teve encontro de vida ou morte contra o Flamengo. Caso vencesse, bastaria segurar o ímpeto leonino da partida adiada. Já o empate colocaria o América com o mesmo número de pontos dos rivais. Mas a derrota diante do Flamengo seria fatal; o América entregaria de mão beijada o troféu mais importante da história do campeonato pernambucano.

Muita gente esperava simples amistoso, entretanto, o Flamengo que já não almejava mais nada no certame, veio com sua melhor formação e fome de bola. Com 4 minutos de jogo, Mirandinha dribla a defesa alviverde e estufa o barbante de Nhozinho. Será que o Flamengo ia dobrar o grêmio esmeraldino? Que nada! Aos 10 minutos, Rubens comete pênalti ao tocar a mão na bola. O próprio Rubens ajeita por superstição a bola na marca penal fazendo umas mandingas. Juju finge que nem vê e empata a peleja. Os ponteiros do América fazem a diferença e Juju num forte chute desempata. O América marca outras duas vezes e aumenta o escore para 4 a 1. Tasso pelo América e Tota pelo Flamengo perdem inúmeras chances de marcar. No final, Mirandinha diminui: 4 a 2.

Faltavam os oito minutos de América x Sport.

Faltava sangue, suor e lágrimas...

Mas o troféu tinha destino marcado com o América.

Naquele extraordinário ano de 1922, o título de campeão do Centenário foi o sonho dos grandes clubes brasileiros, um sonho que transformaria em eternos os esquadrões que conseguissem a façanha de erguer o cetro máximo estadual.

Na Bahia, o campeão do Centenário foi o Botafogo. No Ceará, deu Ceará Sporting. Em São Paulo, a glória foi corintiana, no Maranhão deu Luso-Brasileiro, os gaúchos vibraram com o Grêmio e os paranaenses com o Britania.  

Porém, fato inesquecível para os fãs de Belfort Duarte, 1922 foi um ano glorioso para os Américas em todo o Brasil.

Foram campeões estaduais e do Centenário o América-PE, o América mineiro, o América potiguar e o América carioca. 



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