Muita
gente pode achar graça no título. Como o América pode ter sido
tricampeão em 1921, tendo se retirado do campeonato de 1920? A
explicação é simples. Apenas o tapetão poderia barrar o caminho
do América. O título de 21 restabelecia a justiça do tricampeonato
para jornais da terrinha. Além do mais, naqueles tempos ancestrais, os jornais indicavam o título como tal, semelhante a conquista do Brasil em 1970.
Desta
vez, o América havia aprendido a lição. Jogou conforme o figurino
do intricado e nebuloso certame pernambucano. Tropeçou no Flamengo e
no Torre, mas trocou pontos com o Náutico em troca do título.
Beneficiou-se da confusão entre Santa Cruz e Sport – os
rubro-negros atuaram com jogador irregular – e depois de empatar
duas vezes diante dos tricolores, levou o troféu de campeão pra
casa num acachapante 4 a 1 sobre o próprio Santa Cruz no dia 12 de
fevereiro de 1922.
O
elenco foi amplamente renovado, permanecendo o artilheiro Zé Tasso e
o back Ayres. No arco, Nhozinho se firmava finalmente com a despedida
de Salgado. Os jogos e a guerra no Pará haviam amadurecido o jovem
goleiro na marra. Ao lado de Ayres, revezavam-se Edésio, Lindolfo e
o futuro dirigente João Moreira. O meio-campo com Rômulo, Zizi e
Licor jogava uma barbaridade – de vez em quando com a entrada de
Siza, Salambre ou Altino.
O
ataque foi construído em torno da figura de Zé Tasso, sempre
goleador, e de Juju, estrela da campanha do campeão do Norte.
Pimentel, Orris, Lapinha, Araújo e Matuto podiam entrar sem medo e
davam conta do recado. Como no futebol atual, o América já possuía
a filosofia de que bom futebol depende de elenco afiado. Não bastam
onze jogadores em campo sem reservas à altura. A polivalência
habitava o esquadrão de 1921. Basta notar que o cerebral Rômulo
encerrou o campeonato lá atrás, formando uma dupla infernal com
Ayres na zaga, provando que defensor para ser bom não precisa viver
de chutão. Rômulo que se antecipou ao sábio recuo de um Darío
Pereyra no São Paulo dos anos 70.


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