Demorou vinte e nove anos.
Do primeiro encontro em 10 de abril de 1946 até a primeira vitória em 27 de agosto de 1975.
Em 1946 havia Zizinho.
Em 1975, Zico.
Em 1946 apitou Mario Viana. Em 75, Armando Marques.
Pernambuco vivia um momento triste nas artes. A famosa coleção de arte sacra de Abelardo Rodrigues era comprada pela Bahia. Num episódio que mereceu o nome de 'Guerra Santa', o governador baiano Antônio Carlos Magalhães gastava três milhões de cruzeiros na aquisição do acervo.
Hoje, se um pernambucano deseja visitar a coleção, basta pegar um avião e visitar um museu no Pelourinho.
Foi também o tempo do famoso acidente de um barco do exército na lagoa do Parque Sólon de Lucena em João Pessoa. Trinta e cinco mortos.
Naquele ano em que o Led Zeppelin lançou o álbum duplo Physical Graffiti, o Náutico entrou no Arruda escalado com Neneca; Miguel, Djalma Sales, Sidclei e França; Pedro Omar e Juca Show; Betinho(Dedeu), Vasconcelos, Jorge Mendonça e Lima. O técnico era Orlando Fantoni.
O Flamengo formou com Cantarelli; Júnior, Jaime, Luís Carlos e Florêncio; Liminha e Geraldo; Doval, Luisinho, Zico e Edson. O técnico era Carlos Froner, o qual meses depois passaria Júnior da lateral direita para a esquerda.
Um público de 20.897 torcedores compareceu.
O Náutico atacou desde o início. O gringo Doval aperreando Sidclei. Pedro Omar colado em Zico.
Mas Jorge Mendonça e Vasconcelos levavam nítida vantagem sobre o miolo de zaga rubro-negro.
No primeiro tempo duas chances perdidas por Betinho e um gol claro desperdiçado por Luisinho. Mas o placar se manteve 0x0.
0x0, o mesmo resultado de 1968.
Até que aconteceu o previsível.
Falta nas proximidades da grande área.
Lima ajeita a bola para a cobrança aos 20' do segundo tempo.
O herói das finais do pernambucano de 1974 cobra.
Com a maestria de sempre. No ângulo.
Cantarelli nada pode fazer. Dedeu que entrara no lugar de Betinho com a camisa 14 se enrosca na rede com a bola.
Depois, o gigante Neneca se encarregou de trancar o gol com cadeado.
O Náutico vencia o Flamengo pela primeira vez na história.


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