Por ROBERTO VIEIRA
Montesquieu jogava
vôlei no Botafogo.
Admirava seu colega de
equipe e seleção.
Como admirava Bebeto e
Paulo Costa.
Montesquieu que entre
uma levantada e outra.
Afirmava que é
necessário saciar a grandeza do poder com a brevidade da sua duração.
Poder e glória andam
de mãos dadas.
Porém, a eternidade é
inimiga dos grandes jogadores.
A sabedoria do adeus.
Muitas vezes é
esquecida do instante das vitórias.
A vida nas quadras é
igual a vida nas ruas.
O novo fica velho.
Padilhas e Curis se
despedem na chegada do amanhã.
Até que o amanhã se
torna ontem.
Anteontem.
O moço que cortava,
bloqueava, falava inglês e francês.
O candidato derrotado
pela ARENA.
O pupilo de João e
Bastos.
O símbolo do esporte
moderno no Brasil recém-saído da ditadura.
Hoje luta para
permanecer no cargo.
Eterno.
Patriarca.
O amigo Montesquieu
reage aos fatos, sorrindo.
Jogando vôlei de
praia.
Montesquieu que lamenta
o destino do amigo.
Pois sempre é triste
ver os cabelos brancos das revoluções...

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