5 de out. de 2012






Por ROBERTO VIEIRA


Montesquieu jogava vôlei no Botafogo.

Admirava seu colega de equipe e seleção.

Como admirava Bebeto e Paulo Costa.

Montesquieu que entre uma levantada e outra.


Afirmava que é necessário saciar a grandeza do poder com a brevidade da sua duração.

Poder e glória andam de mãos dadas.

Porém, a eternidade é inimiga dos grandes jogadores.

A sabedoria do adeus.

Muitas vezes é esquecida do instante das vitórias.

A vida nas quadras é igual a vida nas ruas.

O novo fica velho.

Padilhas e Curis se despedem na chegada do amanhã.

Até que o amanhã se torna ontem.

Anteontem.

O moço que cortava, bloqueava, falava inglês e francês.

O candidato derrotado pela ARENA.

O pupilo de João e Bastos.

O símbolo do esporte moderno no Brasil recém-saído da ditadura.

Hoje luta para permanecer no cargo.

Eterno.

Patriarca.

O amigo Montesquieu reage aos fatos, sorrindo.

Jogando vôlei de praia.

Montesquieu que lamenta o destino do amigo.

Pois sempre é triste ver os cabelos brancos das revoluções...

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