Por ROBERTO VIEIRA
Yane Marques começou
sertão.
Moça de vidas secas.
Céu azul e chuva
graciliana.
Severina de Cabral
esquecida dos ricos e poderosos.
Heróina de Euclides e
Gonzagas.
Yane que sonhou ser
olímpica na sombra do umbuzeiro.
Yane que sonhou-se asa
branca.
O assum preto cantou
seu mais belo canto.
Cego e apaixonado por
Yane.
E lá se foi a gentil
sertaneja ser atleta na vida.
Pentatleta.
Apenas o carinho da mãe
no coração e bornal.
Pequena ajuda do
Exército Brasileiro.
Yane comoveu milhões
com seu sorriso.
Com suas corridas e
estocadas em Londres.
Yane que ganhou bronze
sendo sua alma de ouro.
O mais puro ouro da
mais pura alma.
Recebida em pernambuco
com pompa, carro de bombeiros.
Apertos de mão
oportunistas.
Gritos de fãs e afagos
do Poder.
Yane logo foi sendo
esquecida.
Sobrevivendo novamente
do sonho e do carinho materno.
Do pequeno patrocínio
como estagiária.
Yane que decerto.
Continuará sendo
infinita até o Rio de Janeiro.
Triste porém,
é esse esquecimento
cruel e secular.
Esquecimento de quem
poderia ajudar o sonho de Yane.
Governo, empresas,
mídia.
Até mesmo o Clube
Náutico Capibaribe.
Clube do coração de
Yane.
Todos prontos para a
publicidade fácil.
Todos incapazes de
sonhar o sonho de Yane...

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