20 de out. de 2012





Por ROBERTO VIEIRA 


Yane Marques começou sertão.

Moça de vidas secas.

Céu azul e chuva graciliana.

Severina de Cabral esquecida dos ricos e poderosos.

Heróina de Euclides e Gonzagas.

Yane que sonhou ser olímpica na sombra do umbuzeiro.

Yane que sonhou-se asa branca.

O assum preto cantou seu mais belo canto.

Cego e apaixonado por Yane.

E lá se foi a gentil sertaneja ser atleta na vida.

Pentatleta.

Apenas o carinho da mãe no coração e bornal.

Pequena ajuda do Exército Brasileiro.

Yane comoveu milhões com seu sorriso.

Com suas corridas e estocadas em Londres.

Yane que ganhou bronze sendo sua alma de ouro.

O mais puro ouro da mais pura alma.

Recebida em pernambuco com pompa, carro de bombeiros.

Apertos de mão oportunistas.

Gritos de fãs e afagos do Poder.

Yane logo foi sendo esquecida.

Sobrevivendo novamente do sonho e do carinho materno.

Do pequeno patrocínio como estagiária.

Yane que decerto.

Continuará sendo infinita até o Rio de Janeiro.

Triste porém,

é esse esquecimento cruel e secular.

Esquecimento de quem poderia ajudar o sonho de Yane.

Governo, empresas, mídia.

Até mesmo o Clube Náutico Capibaribe.

Clube do coração de Yane.

Todos prontos para a publicidade fácil.

Todos incapazes de sonhar o sonho de Yane...

Categories: ,

0 comentários:

Postar um comentário

Comentários