Por ROBERTO VIEIRA
Quantas vezes voltei aos 17?
Não sei.
Quem eu era? Quem eu sou?
No som da madrugada, a voz de Violeta me pergunta.
Não me tornei sábio e competente.
Mas permaneço frágil como um segundo.
Uma criança diante de Deus.
Um Deus mais profundo que o Deus dos adultos.
Um Deus que está em tudo, e nada.
O rapaz que amava Janis Joplin aos 17.
O rapaz que sonhava revoluções com Mercedes Sosa.
O rapaz que desejava ser livre e independente.
Hoje.
4 de outubro.
É o dia em que se encontram três mulheres dos meus 17.
Janis disse adeus.
Violeta e Mercedes murmuram seu doce trino.
E eu me pergunto se em algum lugar de mim mesmo.
Persiste o niño que sonhava com revoluções.
As revistas e as mídias falam que está tudo bem.
Que não existe mais o aríete, a clava, o sofrimento.
O mundo se tornou um paraíso sem lugar para a revolta e a palavra.
Eis que leio nas entrelinhas.
30 milhões de trabalhadores escravos no mundo.
O Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo.
E no sinal de trânsito dos Recifes.
Uma outra criança me pede esmola enquanto cheira cola.
Envelheci e viro o rosto.
Mas o coração reclama musguito en la piedra de minha alma.
Até o feroz animal...
Só o amor com seus esmeros ao velho torna menino.
Ao mal apenas o carinho, o torna puro e sincero.
Quantas vezes voltei aos 17?
Não sei.
Quem eu era? Quem eu sou?
No som da madrugada, a voz de Violeta me pergunta.
Não me tornei sábio e competente.
Mas permaneço frágil como um segundo.
Uma criança diante de Deus.
Um Deus mais profundo que o Deus dos adultos.
Um Deus que está em tudo, e nada.
Dinheiro, poder, carros e aviões.
Tudo passa.
Tudo passa.
Tudo passa em torvelinho constante.
Amanhã numa curva da estrada.
Posso não ser.
Podemos todos não ser.
A noite me avisa na voz de Violeta.
Mi passo retrocedido.
Apenas a voz de Janis, Violeta e Mercedes permanecerá como diamante fino.
Alumbrando minha alma nem tão serena.
E sobre todas as vozes.
Apenas a voz do amor surgirá como mais claro proceder.
Pois apenas o amor daquele menino de 17.
Apenas este amor nos tornará ao final.
Sempre inocentes.
E apenas este amor se leva dessa vida...

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