4 de out. de 2012




Por ROBERTO VIEIRA


Quantas vezes voltei aos 17?

Não sei.

Quem eu era? Quem eu sou?

No som da madrugada, a voz de Violeta me pergunta.

Não me tornei sábio e competente.

Mas permaneço frágil como um segundo.

Uma criança diante de Deus.

Um Deus mais profundo que o Deus dos adultos.

Um Deus que está em tudo, e nada.

O rapaz que amava Janis Joplin aos 17.

O rapaz que sonhava revoluções com Mercedes Sosa.

O rapaz que desejava ser livre e independente.

Hoje.

4 de outubro.

É o dia em que se encontram três mulheres dos meus 17.

Janis disse adeus.

Violeta e Mercedes murmuram seu doce trino.

E eu me pergunto se em algum lugar de mim mesmo.

Persiste o niño que sonhava com revoluções.

As revistas e as mídias falam que está tudo bem.

Que não existe mais o aríete, a clava, o sofrimento.

O mundo se tornou um paraíso sem lugar para a revolta e a palavra.

Eis que leio nas entrelinhas.

30 milhões de trabalhadores escravos no mundo.

O Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo.

E no sinal de trânsito dos Recifes.

Uma outra criança me pede esmola enquanto cheira cola.

Envelheci e viro o rosto.

Mas o coração reclama musguito en la piedra de minha alma.

Até o feroz animal...

Só o amor com seus esmeros ao velho torna menino.

Ao mal apenas o carinho, o torna puro e sincero.

Quantas vezes voltei aos 17?

Não sei.

Quem eu era? Quem eu sou?

No som da madrugada, a voz de Violeta me pergunta.

Não me tornei sábio e competente.

Mas permaneço frágil como um segundo.

Uma criança diante de Deus.

Um Deus mais profundo que o Deus dos adultos.

Um Deus que está em tudo, e nada.

Dinheiro, poder, carros e aviões.

Tudo passa.

Tudo passa.

Tudo passa em torvelinho constante.

Amanhã numa curva da estrada.

Posso não ser.

Podemos todos não ser.

A noite me avisa na voz de Violeta.

Mi passo retrocedido.

Apenas a voz de Janis, Violeta e Mercedes permanecerá como diamante fino.

Alumbrando minha alma nem tão serena.

E sobre todas as vozes.

Apenas a voz do amor surgirá como mais claro proceder.

Pois apenas o amor daquele menino de 17.

Apenas este amor nos tornará ao final.

Sempre inocentes.

E apenas este amor se leva dessa vida...





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