Por JOSÉ DE OLIVEIRA RAMOS
Gojoba no Sport, em 1965 – quarto agachado, da esquerda para a direita, ao lado de Nunes, o terceiro na mesma ordem.
Quem vê o futebol de hoje – brasileiro ou estrangeiro – ainda que seja ao vivo ou numa televisão com alta definição, não tem noção da beleza plástica do futebol das décadas de 50, 60 e 70, até aproximadamente o final desta década.
Quem nos Aflitos, Arrudão ou Ilha do Retiro, viu Salomão com a camisa bicolor (alvi-rubra) do Náutico e ainda pode fazer uma saudosa análise, precisa entender e deveria ter visto Danilo Alvim. O futebol era belo, bonito de ver e até inspirava Carlos Drummond de Andrade, Thiago de Melo sem contar que enchia de alegria Nelson Rodrigues.
Pois, o futebol de hoje não tem absolutamente nada como o futebol das épocas citadas. É saudosismo? É sim. Assumido.
Pois, é de um jogador dessa época, com passagem brilhante no futebol pernambucano que nos dispusemos a falar – para atender um pedido desse incomparável Mestre Roberto Vieira – e, felizmente, enveredar também por caminhos não tão maravilhosos.
Pretendo falar de José Raimundo Moraes, maranhense, conhecido no futebol pelo apelido de GOJOBA.
Início pobre, Gojoba tinha apenas duas tarefas: estudar e jogar bola. A segunda opção lhe dava mais prazer mas, hoje, usufrui do que construiu com a primeira opção – os estudos. Gojoba, como todo menino pobre do Nordeste, calçou a primeira chuteira e vestiu a primeira camisa para jogar futebol pelo 1º de Maio Futebol Clube, clube amador (extinto) do bairro Anil, em São Luís.
A beleza plástica e a seriedade, somados à objetividade dentro de campo, acabaram levando Gojoba ao profissionalismo. O Moto Club de São Luís foi o caminho. No começo da década de 60, Gojoba já estava vestindo a camisa do Sport Club Recife e, em pouco tempo se transformaria num dos seus muitos ídolos. A chegada de outro maranhense, NUNES – aqui em São Luís mais conhecido por Pelezinho – foi importante para o deslanche do futebol clássico e objetivo de Gojoba. Isso o levaria, um dia, a integrar a famosa Seleção Cacareco.
Em meados da década de 60, Gojoba resolveu iniciar o caminho da volta. Foi contratado a peso de ouro pelo Ceará Sporting Club, onde também se transformaria em ídolo, participando de uma das mais importantes conquistas alvinegras da década: campeão do Norte-Nordeste em 1969.
Mais uns anos no Ceará e o retorno definitivo para o Maranhão, agora para vestir a camisa tricolor do Sampaio Corrêa, onde conquistaria o título invicto de campeão brasileiro em 1972, e onde também reencontraria o amigo Nunes (Pelezinho). Foi vestindo a camisa do Sampaio Corrêa que Gojoba parou de jogar profissionalmente.
Foi quando os estudos iniciais voltaram a ter influência na vida de Gojoba. Desenhista Técnico, conquistou um emprego na CEMAR (Companhia Energética do Maranhão), onde atingiu a aposentadoria.
Mas, atingindo a casa dos 70 e poucos anos, Gojoba começou a enfrentar problemas de saúde. Está acometido do Mal de Parkinson e há alguns anos já desconhece até parentes mais próximos com quem convive diariamente.
Esta matéria especial tem um objetivo: colocar definitivamente o problema de saúde do ex-jogador, e desmentir notícias veiculadas aqui, em São Luís, e alhures, dando conta de que Gojoba estaria “necessitando de ajuda”, inclusive financeira, para chegar ao fim dos seus dias.
Graças aos estudos, Gojoba conquistou uma aposentadoria que, se não é algo maravilhoso, lhe permite viver os dias atuais, enfrentando apenas os normais problemas de saúde.
Gojoba na seleção pernambucana em 1965, ao lado de Gena. Nesta partida, os pernambucanos derrotaram a seleção da Alemanha Ocidental por 1x0.


0 comentários:
Postar um comentário
Comentários