O
América não estava de brincadeira e queria a todo custo se sagrar
campeão pernambucano pela primeira vez. Na presidência do clube, o
Coronel Seixas decidiu abrir a boca do cofre contratando os
profissionais Alex, Bermudes e Peres para fazer companhia ao
fenomenal garoto Zé Tasso. Comandando o timaço fora das quatro
linhas, isso depois de brigar com os antigos companheiros do Sport
Club do Recife, estava ninguém menos que Guilherme de Aquino
Fonseca, o rubro-negro que introduziu o futebol em Pernambuco.
A
equipe iniciou o certame de 1918 goleando impiedosamente o Náutico:
10 a 1. O resultado não foi obra do acaso. O Flamengo, primeiro
campeão pernambucano, apanhou de 3 a 1. O bicampeão Sport foi
massacrado por 6 a 1. Pra quem era ligado em futebol, não havia
dúvida: 1918 era o ano do América e as vitórias foram se
sucedendo, até que ocorreu o inesperado: a Gripe Espanhola.
O
certame ficou paralisado durante três meses - o noticiário fúnebre
substituindo as manchetes sobre a guerra, o vírus da gripe atingindo
milhões de pessoas em todo o mundo. No dia 27 de novembro de 1918,
em pleno sofrimento causado pela Gripe Espanhola, chega ao Recife a
notícia do assassinato, no município fluminense de Campo Belo, de
Belfort Duarte. O América reúne suas forças e busca dedicar seu
primeiro título estadual ao antigo ídolo.
Na
volta do campeonato, em dezembro de 1918, um cochilo e o América
perde sua invencibilidade diante do Santa Cruz, no dia de Nossa
Senhora da Conceição. Porém, uma equipe capaz de marcar quarenta e
quatro gols em dez partidas não deixaria o título escapar entre
seus dedos, assim sem mais nem menos. Duas semanas depois, show de Zé
Tasso marcando seis gols e nova goleada, desta vez sobre o Torre por
10 a 1. Foi a partida que garantiu a posse da taça.
A
última contenda contra o Sport, em janeiro de 1919, foi apenas para
cumprir tabela. Os rubro-negros haviam importado o uruguaio Pedro
Mazullo sonhando estragar a festa americana. Mesmo assim, o América
entrou com tudo no campo da Avenida Malaquias, estádio do Leão,
para que não restassem dúvidas sobre a melhor equipe.
Torre
lança Juju que toca na saída de Franco: América 1 a 0. O Sport
reage. Empata. Gol de Lourenço. Sonha com a vitória no intervalo,
mas Peres e Zé Tasso marcam na etapa complementar: América 3 x 1
Sport.
Pernambuco
tinha um novo campeão e um novo craque.


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