Por ROBERTO VIEIRA
A Ata do Santa Cruz Futebol Clube do dia 11 de abril de 1940 proíbe a saída dos jogadores Irineu e Celestino.
O Sr. João Lima volta ao cargo de diretor do futebol juvenil.
Fatos corriqueiros entremeados pela decisão histórica:
aceita-se o convite do Treze de Maio de Campina Grande para amistoso no dia 14 do corrente.
Será o primeiro duelo entre as duas equipes.
A ata, entretanto, trazia erro grave, pois o nome do Treze de Campina Grande não se devia a Abolição coisa nenhuma.
Treze eram os fundadores do clube sob o comando de Antonio Fernandes Bióca.
O Santa Cruz viaja em busca de si mesmo.
Afastado das finais do Torneio Início
- ironicamente decidido em domingos distintos em 1940
- o tricolor foi a primeira equipe de outro estado a atuar no recém construído Estadio Presidente Vargas,
praça de esportes erguida em terreno doado pelo Dr. Argemiro de Figueiredo ao Treze.
O Santa de 1940 era um timaço.
Vicente Lobão no arco.
Pedro e Pedrinho na zaga.
Um ataque extraordinário com Ita, Jango, Tará, Sidinho e Siduca.
Ala esquerda recitada em prosa e verso.
Mas o Santa Cruz perdera o certame de 1939 para o Náutico dos Carvalheira em decisão dramática,
inesperada para o coração das três cores.
O Santa Cruz em abril de 1940 era uma equipe em busca do horizonte perdido.
O Treze de 1940 não ficava atrás.
Campeões paraibanos daquele ano, jogando todas as partidas na capital por exigencia da Federação,
o elenco contava com o trio final Araújo, Né e Raimundo.
O centromédio Pedro Macaco mandava no jogo.
Aderson, Biu e Alcides decidiam a parada na frente do gol.
O Treze que era um grande clube longe demais da capital.
Em Recife, o Sport vence o Torneio Início.
Em Campina Grande, o Santa Cruz se recupera da derrota nas finais do pernambucano diante do Náutico.
Santa Cruz que goleia por 5x2 o Treze em tarde de festa e homenagens de parte a parte.
A renda de quatro contos e trezentos mil réis é recorde absoluto na região.
Cinco dias depois, o Santa cruz estreia no estadual.
Vitória de 4x3 sobre o Tramways.
Estava aberto o caminho para o título pernambucano de 1940,
vencido exatamente em cima do Sport em três batalhas de sangue, suor e lágrimas.
Naquele longínquo abril de 1940,
duas nações nordestinas reencontravam seu caminho de glória.
O Santa Cruz, longe de casa, no planalto, nas redes do Getúlio Vargas.
O Treze, junto de sua torcida, sentindo na amargura da derrota a dor que alimenta o triunfo final.
NOTA DO BLOG: Detalhes da história do Treze nos idos de 1940, assim como a imagem do Presidente Vargas são cortesia do excepcional site do TREZEGALO http://www.trezegalo.110mb.com

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