18 de set. de 2012




Rigoberto se descobria agora no Exército. O sonho de ser militar na verdade era um sonho paterno que se confundia com o sonho de ver o filho músico. Os horizontes limitados dos anos 30 e 40 no Nordeste brasileiro, levaram jovens talentosos a procurar o caminho das forças armadas, onde podiam encontrar o aprendizado e a ascensão social que a vida civil negava.

No exército, Rigoberto começou a frequentar a escola regimental, curso ministrado por professores civis aos jovens recrutas. Após quatro meses no XV Regimento de Infantaria, Rigoberto se matricula no Curso de Formação de Cabos, sendo selecionado entre um grande número de inscritos.

Surpresa e destino. Rigoberto descobre que o curso terá no lugar no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) localizado em Recife. O jovem recruta diz adeus a terra natal e no dia de finados de 1941 parte para a capital pernambucana.

Recife é então a terceira maior cidade do Brasil, perdendo para Rio e São Paulo. Terra de contrastes, riqueza e miséria, palacetes e mocambos, futebol e frevo, Bandeiras, Ascensos e Freyres, a capital pernambucana era terra extremamente politizada e proibida de eleger até mesmo seu prefeito em nome da segurança nacional. Um dos locais onde rebentara a Intentona Comunista de 1935, os assuntos militares eram levados muito a sério pelos comandos militares do Estado Novo.

Em Recife, Rigoberto frequenta o curso de formação de cabos na sede do CPOR, localizada na Rua do Hospício, bairro da Boa Vista, próximo a casa do General de Brigada Mascarenhas de Moraes. Junto com Rigoberto se apresentaram 200 jovens recrutas dos estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, número logo reduzido para 90 devido aos duros exames de avaliação escrita, oral e prática realizados durante a aprendizagem.

Foi durante este curso que o jovem Rigoberto travou contato pela primeira vez com o universo da guerra no Velho Mundo.

O comandante do CPOR era o então Capitão Roberto de Pessoa.

Paraibano como Rigoberto, Roberto se tornaria primeiro paraquedista na história do Exército Brasileiro, formado em curso no exército americano em 1944, no Forte Benning. Paraquedismo que entrou em seu sangue ao visitar a Alemanha durantes os Jogos Olímpicos de 1936. Como o curso de paraquedismo era vedado aos não-alemães, Roberto realizou o curso de planadorismo.

Roberto de Pessoa que botava pra quebrar nas aulas de educação física.

Educação física aprendida na Academia de Esportes do Terceiro Reich e que passaria a ser a base da educação física utilizada até hoje nas escolas e Forças Armadas brasileiras...


 Roberto de Pessoa


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