11 de set. de 2012





Por ROBERTO VIEIRA           


Tudo começou na década de 30.

Paulistas versus cariocas.

República Velha versus República Nova.

O Brasil já não era um só – se é que jamais chegou a ser.

Patuska era traidor da Pátria.

Preguinho?

Um pulha.

Vaia pra que te quero!

Os treinadores foram na onda do populismo.

Em São Paulo, paulistas.

No Distrito Federal, cariocas.

Até o austero Flávio Costa entrando na onda.

Perdemos uma Copa.

A última sem vaias e apupos.

Apenas silêncio.

A partir de 50, a vaia virou sinônimo de seleção.

Vaiou-se Julinho. Vaiou-se Paulo César Caju.

Vaiou-se até minuto de silêncio.

A seleção acostumou-se a jogar sob vaias nas despedidas pras Copas.

Ganhou cinco.

Mas ao menor tropeço?

UUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!

Qualquer país estaria em delírio com tantos títulos.

Menos o Brasil.

Acontece, meus amigos.

Que por uma curva do destino nas cartas e búzios.

Uma das piores seleções de todos os tempos vai nos representar em 2014.

Treinada por um técnico que não sabe transformar água em vinho.

O Brasil não tem chances de ganhar a Copa de 2014.

O Brasil é muito inferior a Espanha, Alemanha e Messi.

Muito.

Então?

Então chegou a hora de calar essa mania de vaiar nossa seleção.

Pois nem todo mundo é Julinho nessa vida.

A maioria está mais pra Sérgio Ricardo.

A única chance da seleção em 2014.

É transformar cada estádio em um Mundão do Arruda.

Uma unanimidade burra e efusiva.

Como se os jogadores fossem a Pátria de chuteiras.

Não temos as moedas de Rosário.

Não temos Queixadas e Vavás, Pelés e Romários.

Temos apenas o grito das arquibancadas.

Um grito que talvez transforme Neymar e cia. em Varelas.

Um grito que transforme nossas arenas em centenários.

Claro.

Teixeiras e congêneres não merecem nosso grito.

Mas não será por eles que as arquibancadas deverão torcer.

E sim por um velho sentimento cada dia mais ignorado.

Cada dia mais vilipendiado.

Cada dia mais subjugado ante tanta ladroeira e corrupção.

Aquele sentimento de que o Brasil depende de nós.

O sentimento de que o Brasil é muito mais importante que noventa minutos de futebol.

Lembrem.

Nem todo mundo é Julinho Botelho.  


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