Tudo começou na década
de 30.
Paulistas versus
cariocas.
República Velha versus
República Nova.
O Brasil já não era
um só – se é que jamais chegou a ser.
Patuska era traidor da
Pátria.
Preguinho?
Um pulha.
Vaia pra que te quero!
Os treinadores foram na
onda do populismo.
Em São Paulo,
paulistas.
No Distrito Federal,
cariocas.
Até o austero Flávio
Costa entrando na onda.
Perdemos uma Copa.
A última sem vaias e
apupos.
Apenas silêncio.
A partir de 50, a vaia
virou sinônimo de seleção.
Vaiou-se Julinho.
Vaiou-se Paulo César Caju.
Vaiou-se até minuto de
silêncio.
A seleção
acostumou-se a jogar sob vaias nas despedidas pras Copas.
Ganhou cinco.
Mas ao menor tropeço?
UUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!
Qualquer país estaria
em delírio com tantos títulos.
Menos o Brasil.
Acontece, meus amigos.
Que por uma curva do
destino nas cartas e búzios.
Uma das piores seleções
de todos os tempos vai nos representar em 2014.
Treinada por um técnico
que não sabe transformar água em vinho.
O Brasil não tem
chances de ganhar a Copa de 2014.
O Brasil é muito
inferior a Espanha, Alemanha e Messi.
Muito.
Então?
Então chegou a hora de
calar essa mania de vaiar nossa seleção.
Pois nem todo mundo é
Julinho nessa vida.
A maioria está mais
pra Sérgio Ricardo.
A única chance da
seleção em 2014.
É transformar cada
estádio em um Mundão do Arruda.
Uma unanimidade burra e
efusiva.
Como se os jogadores
fossem a Pátria de chuteiras.
Não temos as moedas de
Rosário.
Não temos Queixadas e
Vavás, Pelés e Romários.
Temos apenas o grito
das arquibancadas.
Um grito que talvez
transforme Neymar e cia. em Varelas.
Um grito que transforme
nossas arenas em centenários.
Claro.
Teixeiras e congêneres
não merecem nosso grito.
Mas não será por eles
que as arquibancadas deverão torcer.
E sim por um velho
sentimento cada dia mais ignorado.
Cada dia mais
vilipendiado.
Cada dia mais subjugado
ante tanta ladroeira e corrupção.
Aquele sentimento de
que o Brasil depende de nós.
O sentimento de que o
Brasil é muito mais importante que noventa minutos de futebol.
Lembrem.
Nem todo mundo é
Julinho Botelho.

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