Por ROBERTO VIEIRA
Tudo parecia perfeito naquele 16 de julho.
Zizinho seria consagrado o melhor do mundo.
O Bangu tinha Zizinho.
E Schiaffino viria jogar com Mestre Ziza em Moça Bonita por 300 contos.
Pecado.
O futebol tem dessas coisas mesquinhas.
A bola é mulher de indecifráveis desatinos.
O Brasil perdeu a Copa.
Zizinho ficou sozinho no Bangu.
Schiaffino acertou o ângulo de Barbosa.
Schiaffino foi como um Deus para a Itália.
Ele e Gigghia.
Mas o futebol também se arrepende.
A bola chorou sua insanidade pagã.
Primeiro Bangu x Flamengo após a Copa.
Botaram poucos ingressos à venda no maior do mundo.
O povo jamais voltaria a lotar aquele lugar mal assombrado.
E dirigente entende de povo?
Uma multidão arrombou as catracas do Maracanã.
'Queremos Zizinho! Queremos Zizinho!'
O pequeno Edson colado no rádio extasiado.
Zizinho se mostrou maior que o tempo e as derrotas.
Zizinho que foi negado nas seleções de 54 e 58.
Zizinho que prosseguiu imortal pelos campos deste mundo.
Ensinando futebol a Bela Guttman.
Destruindo o império corintiano.
Entregando o cetro a Didi.
Corrigindo o ventriloquismo de Gerson.
Em seu reinado infinito.
Zizinho foi o elo perdido entre o diamante e o Rei.
Entre o Brasil saco depancada e o Brasil campeão.
Zizinho que foi o ídolo de Três Corações...

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