15 de set. de 2012





Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM


É preciso falar de Zizinho. Falar sempre de Zizinho. Para que os das novas gerações saibam que havia futebol inteligente no Brasil antes de Pelé. Antes de Pelé e de Garrincha. Antes de Zico, de Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e de Neymar. E que havia também futebol inteligente fora da Europa antes de Di Stéfano chegar por lá. Bem antes de Puskas, de Cruiff, de Maradona e de Messi.

Zizinho foi artilheiro do Campeonato Carioca de 1952, artilheiro ao lado de Menezes, companheiro de time, o Bangu, um time, diga-se, de pouca torcida. Isso aconteceu após a Copa de 50, é bom frisar. Jogava na meia-direita, como ponta-de-lança, participando também da criação. Fez naquele ano 19 gols, deixando Ademir, Carlayle, Pirilo e outros bambas para trás. Ao mesmo tempo carregou durante todo o campeonato o companheiro Menezes nas costas. Menezes (quem se lembra dele?; não conheço mais ninguém que se lembre de Menezes) era o center-foward do Bangu, fez também o mesmo número de gols, quase todos presentes açucarados de Zizinho, assistências do mestre.

Para os interessados: procurem ver se encontram coleções de antigos exemplares de Manchete Esportiva ou do jornal Última Hora do Rio. Os da revista, dos anos de 1956-57; os do jornal da primeira metade dos anos 50. Jogos da Seleção (1956), do Bangu (primeira metade da década) ou do São Paulo (ano de 1957, quando Zizinho foi mais uma vez campeão). Zizinho só faltava fazer chover a cada jogo da seleção ou do seu time, do Bangu ou do São Paulo. Nas páginas da Manchete Esportiva, reportagens de dois memoráveis amistosos da seleção, contra a Itália (2x0, no Maracanã, 1º-jul-56) e contra a Tchecoslováquia (4x1, no Pacaembu, 8-ago-56, dois gols dele, Zizinho).

Exibições primorosas do Mestre Ziza, jogando ao lado de atacantes apenas medianos, tais como Leônidas da Selva, o Leônidas do América, ou o ponta-esquerda Ferreira, também do América. Isso pouco depois do fracasso do Brasil na Suiça em 54. É bom lembrar também que se não esteve na Copa com a Seleção, foi por razões extras-campo, por motivo político, por razões mesquinhas. Acho, opinião pessoal, que Zizinho tinha do ponto de vista técnico, saúde de sobra e disposição, condições de mais para jogar a Copa de 58 na Suécia. Apesar de já ter passado dos 35 anos (Nílton Santos foi bicampeão com 37!). Já pensaram no Mestre Ziza ao lado de Didi, de Pelé e de Garrincha? Joel, Moacir, Mazola e Zagallo, pra falar somente em atacantes, todos campeões, não estavam lá? Tinham que arrumar no time um lugar para ele, ao lado de Zito, de Pelé e de Didi. Não ia ser difícil. Pelé, Tostão, Gérson e Rivelino, todos camisas 10 nos seus times, foram campeões no mesmo time, na mesma linha de ataque, em 70. Por que não Zito, Didi, Pelé e Zizinho, juntos, em 58? Zizinho tem que ser para sempre lembrado.

Obrigado, Roberto. Pela lembrança nos 90 anos do Mestre Ziza. Um mestre homenageando outro mestre. E obrigado, Zizinho. Pelo futebol exuberante que marcou sua carreira. Pela alegria que tantas vezes me deu em sucessivas tardes de domingo através das notícias que me chegavam pelo rádio, seguidas do que saía publicado nas revistas e nos jornais durante a semana. Obrigado pelo futebol que encantava a todos. Uma das razões para a gente virar para o resto da vida um viciado pelo maravilhoso jogo de bola.


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