Por ROBERTO VIEIRA
Excetuando-se Mestre Gilberto Freyre.
O pernambucano é um estado de espírito de senzala na casa grande .
Para o bem e para o mal.
O pernambucano se sente o rei da cocada preta.... no carnaval e são joão.
Mas quando chega a quarta-feira de cinzas
Quando chega o tal jogo fora de casa.
O pernambucano calça as chuteiras da humildade sinhá.
E se sente o pária dos párias dos párias.
Os gaúchos já sentiram isso.
Mas tiveram lá seus Vargas e obeliscos pra mudarem a história.
Os baianos?
Desconhecem tal sentimento.
A Bahia é o berço do samba e vamo que vamo, meu Rei!.
Os mineiros estiveram como nós.
Mas foram resgatados pelo Mineirão e por JK.
De tempos em tempos, alguma coisa acontece.
Um Santa Cruz em 75.
Um Náutico em 67.
Um Sport em 2000.
Mas na hora H?
Culpa do juiz.
O corpo treme.
A visão enfraquece.
A alma vem entoando Pernambuco Imortal.
A culpa é jogada no destino e nos homens de preto.
Todo esse sentimento de inferioridade.
Aliado ao sentimento de caranguejos.
Torna times e cidadãos pernambucanos.
Frágeis.
Então?
Muitos vibram mais com a derrota do compatriota que com o próprio umbigo.
Solução?
Divã, meus amigos.
Divã para torcedores, dirigentes e jogadores.
Até para os que chegam de fora.
Pois nada mais epidêmico que um complexo de vira-lata.
Tanto que Nelson e Mário Filho.
Foram pra bem longe daqui enquanto ainda era tempo...

Roberto,
ResponderExcluirConcordo com quase tudo. Que o pobre pernambucano, calejado pelo sofrimento da desigualdade, descamisado, sem acesso a educação, esse poderia ter complexo de vira-lata. Mas os que nos representam, a elite que seria em tese o que temos de “melhor”, os mesmos que aqui cantam de galo e nem se quer pisam no chão, esses se comportam como cordeirinhos e baixam a cabeça. Esses deveriam dar o exemplo. Amigo, isso se chama coronelismo. A lei da chibata e viva a mediocridade, por que pra mim está tudo bem. Sem querer polemizar e trazendo para nossa realidade, quem dos amigos que frequentam esse espaço acreditam que são bem representados pelos nossos “grandes” dirigentes? Eu por exemplo tenho vergonha!
Mestre... nem sei como se chama. Mas raros são os nordestinos que não baixam a cabeça diante dos grandes do sul... em todos os aspectos da vida.
ResponderExcluirConcordo com o que vcs escreveram.
ResponderExcluirQueiram me permitir trazer dados estatísticos sobre nossas campanhas fora de casa em Brasileiros da 1a. Divisão. De 2007 para cá, quando voltamos após 12 anos na 2a. Divisão, 2012 é o pior Brasileirão do Náutico em termos de aproveitamento fora de casa. O ano de 2007 foi nosso último recente Brasileirão com 'algum aproveitamento decente, permissível'.
2012 - 12 jogos, 1 vitória, 2 empates, 9 derrotas: são cerca de 0,8% de vitórias fora de casa e 75% de derrotas;
2008 - 19 jogos, 2 vitórias, 5 empates, 12 derrotas: são 10,52% de vitórias fora de casa e 63,15% de derrotas;
2009 - 19 jogos, 2 vitórias, 4 empates, 13 derrotas: são 10,52% de vitórias fora de casa e 68,42% de derrotas);
2007 - 19 jogos, 5 vitórias, 3 empates, 11 derrotas: são 26,31% de vitórias e 57,89% de derrotas.
Roberto,
ResponderExcluirTambém concordo que são poucos que não baixam a cabeça. Mas esse é o modelo plantado e cultivado pelos que vivem na casa grande. Eles nos mantém amordaçados e em troca não discutem as bases do pacto que mantém alinhada a República Federativa do Brasil. Muito bom esse modelinho. Se você tiver curiosidade, entre nos balanços das Federações Estaduais, poderá verificar os repasses de verbas da nossa gloriosa CBF. São esses cartolas que nos representam e contentam-se com as migalhas. Como brigar com os Teixeiras? A liga do Pina, com todo respeito, tem o mesmo peso de Náutico ou Sport, como tirar os Oliveiras? O mesmo modelo é aplicado ao Náutico e Sport por exemplo. Falta massa crítica meu amigo. Tomara que o crescimento que vivemos nos remeta a um modelo melhor. Mais educação, mais gente exigindo e pensando. O Rio Grande do Sul e Mina Gerais? Essa conversa fica marcada, acompanhada de uma Original no Bar do Neno.
Abs,
Houve campeonatos piores, inclusive com muitos em que sequer vencemos fora. O que a história diz (abaixo documentada e provada) é que o Náutico é um clube mais do que caseiro, doméstico. A maioria dos clubes que venceu fora do Recife são de pouca ou quase nenhuma tradição. Impossível se pensar em ser grande com essa mentalidade de "deixar pra lá nossas derrotas fora de casa". Porque, de fato, é essa PASSIVIDADE que também contribui com um dos muitos fatores que impossibilitam o clube de vir a ser campeão de qualquer torneio nacional, quiçá regional (ouço de muitos de nós que "em empate contra o Fluminense/BA, Treze, Icasa, fora de casa é um bom resultado". Kakakkkkkkkk...).
ResponderExcluirEnquanto tivermos essa mentalidade de JERICO, PASSIVA, PEQUENA, jamais seremos grandes.
Para efeito de jogos fora de casa, não computei os nossos clássicos, ou seja contra nossos rivais do Recife (até porque durante muitos campeonatos nas décadas de '70 e '80, os clássicos nos Brasileirões eram disputados no Arruda com torcida dividida).
Números em porcentagens próximas (+-):
ResponderExcluirCampeonato Brasileiro 2012 (até a 23a. Rodada) - 12 jogos:
1 vitória (0,08%);
2 empates (16,66%);
9 derrotas (75%).
Campeonato Brasileiro 2009 - 19 jogos:
2 vitórias (10,52%);
4 empates (21,05%);
13 derrotas (68,42%).
Campeonato Brasileiro 2008 - 19 jogos:
2 vitórias (10,52%);
5 empates (26,31%);
12 derrotas (63,15%);
Campeonato Brasileiro 2007 - 19 jogos:
5 vitórias (26,31%);
3 empates (15,78%);
11 derrotas (57,89%).
Campeonato Brasileiro 1994 - 12 jogos:
0 vitórias (0%);
2 empates (16,66%);
10 derrotas (83,33%).
Campeonato Brasileiro 1993 - 6 jogos:
0 vitórias (0%);
2 empates (33,33%);
4 derrotas (66,66%).
Campeonato Brasileiro 1992 - 9 jogos:
0 vitórias (0%);
2 empates (22,22%);
7 derrotas (77,78%).
Campeonato Brasileiro 1991 - 9 jogos:
1 vitória (11,11%);
0 empates (0%);
8 derrotas (88,89%).
Campeonato Brasileiro 1990 - 10 jogos:
1 vitória (10%);
4 empates (40%);
5 derrotas (50%).
Campeonato Brasileiro 1989 - 9 jogos:
1 vitória (11,11%);
1 empate (11,11%);
7 derrotas (77,78%;
Campeonato Brasileiro 1987 (considerando que a CBF assume como 1a. Divisão os dois módulos, Verde e Amarelo. Ver classificação final pela CBF):
7 jogos;
0 vitória (0%);
1 empate (14,28%);
6 derrotas (85,71%).
Campeonato Brasileiro 1986 - 12 jogos:
2 vitórias (16,66%);
0 empates (0%);
10 derrotas (83,33%).
Campeonato Brasileiro 1985 - 9 jogos:
2 vitórias (22,22%);
1 empate (11,11%);
6 derrotas (66,66%).
Campeonato Brasileiro 1984 - 10 jogos:
2 vitórias (20%);
2 empates (20%);
6 derrotas (60%);
Campeonato Brasileiro 1983 - 10 jogos:
3 vitórias (30%);
4 empates (40%);
3 derrotas (30%).
Campeonato Brasileiro 1982 - 7 jogos:
1 vitória (14,28%);
5 empates (71,42%);
1 derrota (14,28%).
Campeonato Brasileiro 1981 - 4 jogos:
1 vitória (25%);
0 empate (0%);
3 derrotas (75%).2
Campeonato Brasileiro 1980 - 8 jogos:
2 vitórias (25%);
2 empates (25%);
4 derrotas (50%).
Campeonato Brasileiro 1979 - 6 jogos:
2 vitórias (33,33%);
0 empate (0%);
4 derrotas (66,66%).
Campeonato Brasileiro 1978 - 9 jogos:
3 vitórias (33,33%);
2 empates (22,22%);
4 derrotas (44,44%).
Campeonato Brasileiro 1977 - 6 jogos:
1 vitória (16,66%);
1 empate (16,66%);
4 derrotas (66,66%).
Campeonato Brasileiro 1976 - 9 jogos:
2 vitórias (22,22%);
4 empates (44,44%);
3 derrotas (33,33%);
Campeonato Brasileiro 1975 - 10 jogos:
3 vitórias (30%);
4 empates (40%);
3 derrotas (30%).
Campeonato Brasileiro 1974 - 10 jogos:
3 vitórias (30%);
3 empates (30%);
4 derrotas (40%).
Campeonato Brasileiro 1973 - 16 jogos:
1 vitória (0,06%);
4 empates (25%);
11 derrotas (68,75%)
Campeonato Brasileiro 1972 - 5 jogos:
3 vitórias (60%);
1 empate (20%);
1 derrota (20%).
Campeonato Brasileiro 1968 (Torneio Roberto Gomes Pedrosa) - 7 jogos:
0 vitória (0%);
2 empates (28,57%);
5 derrotas (71,42%).
Campeonato Brasileiro 1968 (Taça Brasil) - 1 jogo:
0 vitória (0%);
0 empate (0%);
1 derrota (100%).
Campeonato Brasileiro 1967 (Taça Brasil) - 6 jogos:
2 vitórias (33,33%);
1 empate (16,66%);
3 derrotas (50%).
Campeonato Brasileiro 1966 (Taça Brasil) - 3 jogos:
1 vitória (33,33%);
1 empate (33,33%);
1 derrota (33,33%).
Campeonato Brasileiro 1965 (Taça Brasil) - 4 jogos:
2 vitórias (50%);
0 empates (0%);
2 derrotas (50%);
Campeonato Brasileiro 1964 (Taça Brasil) - 3 jogos:
1 vitória (33,33%);
0 empates (0%);
2 derrotas (66,66%).
Campeonato Brasileiro 1961 (Taça Brasil) - 1 jogo:
0 vitórias (0%);
0 empates (0%);
1 derrota (100%).
Realmente, o Neno merecia uma conversa dessas...
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