20 de ago. de 2012



Por ROBERTO VIEIRA


O avião partia às 17 horas.

Eu não queria estar lá.

Decidi que o jogo no Arruda seria a solução.

O jogo em si era secundário.

O importante era não pensar no aeroporto.

O walkman da Sony meio envelhecido foi carregado com uma fita K-7.

Raul.

Entre metamorfoses ambulantes e sociedades alternativas.

Olhos marejados em Gita.

Assisti o jogo mais distante da minha vida.

Baiano corria e eu pensava na relatividade metafísica do homem apaixonado.

O pai da moça era rico.

A moça ia estudar nas caledônias dessa vida.

Tudo lógico e cartesiano.

Não fosse o idiota que confundia harmonias com desarmonias apaixonadas.

Gol.

Não comemorei na histeria coletiva.

O walkman tocava o trem em mil megatons.

Gol.

Não tinha onde ir naquela noite.

Fugindo de Raul e lembrando Milton.

Minha casa não era minha nem era meu esse lugar.

O amor era abstração na ausência do objeto amado.

Acendi um cigarro.

Bebi da última dose do chopp.

O estádio se fez escuridão e eu ganhei as ruas.

O avião estava longe.

Dela nunca mais ouvi falar.

O amor se tornou um sentimento perdido num jogo de futebol.

Há 10 mil anos atrás...






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