Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM
Foto histórica do time do Náutico entrando em campo na jornada de 1939. Publicada há pouco no Blog (“O Clássico dos Clássicos - Sirene ou Soirée?”), a foto original tirada dos jornais da época mostra ao fundo torcedores de roupa branca, chapéu e paletó, costume da época. Outros torcedores acomodados em um poleiro improvisado, um arremedo de arquibancada ao lado de uma pequena edificação com a cornija no estilo clássico da arquitetura daqueles idos. Um passeio prazeroso pelo túnel do tempo. Sou fissurado nessa foto. Desde quando a vi pela primeira vez, em 1939, no álbum de figurinhas do irmão. Fotografia colorizada, o vermelho pintado à mão nas listas cortando o branco na vertical, reproduzida acima.
Com dois jogadores desse time, que em mais um domingo de glórias alvirrubras está entrando no campo da Jaqueira em busca do título, tive o privilégio de conversar repetidas vezes sobre as coisas do futebol, suas histórias, seu passado. São eles os atletas emparelhados à esquerda da foto, à direita no grupo, um ao lado do outro: o goleiro Djalma e, à sua esquerda, o zagueiro Célio. A postura serena de ambos, a elegância discreta sem traço de afetação. O caminhar tranquilo dos dois na direção da vitória que decerto virá no cair da tarde com o apito final do árbitro.
O contato com Djalma, um gentleman, nos lançamentos de livro na sede do Náutico ou através de sua participação como depoente no capítulo dedicado ao treinador Adhemar Pimenta, em “Reis do Futebol em Pernambuco − Técnicos”, escrito em parceria com Carlos Celso e Roberto Vieira. O goleiro veste na foto um uniforme branco com a bandeirinha alvirrubra desenhada no peito. Iniciou sua carreira no América em 1935. Quatro anos depois, estava nos Aflitos. É ele um dos primeiros jogadores contratado pelo clube a partir do advento do profissionalismo. Talvez a primeira aquisição do Náutico de um jogador egresso de outro clube da cidade. Foi campeão em 1939 e chegou à Seleção estadual, na ocasião dirigida por Pimenta, motivo da escolha para o depoimento no livro. Não ficou no futebol por muito tempo, jogar por dinheiro não lhe seduzia. Preferiu seguir a vida por outros caminhos.
Célio, da mesma época, uma amizade que nasceu em solenidade festiva no Náutico quando tive a oportunidade de encontrá-lo sendo homenageado ao lado de outras figuras mitológicas da história do clube (houve um tempo que eram frequentes no Náutico reuniões assim), e que prosseguiu em encontros ocasionais na Madalena, em bares ou no supermercado do bairro, onde ambos residíamos nos idos dos anos 80. Paulista de Araraquara, cidade onde começou a jogar e de quem tomou emprestado o apelido, esteve no clube alvirrubro em duas oportunidades. Assim como Djalma, também pioneiro nos Aflitos com a chegada do regime profissional. É um dos primeiros jogadores do futebol sulista a ser contratado pelo clube. Da primeira vez que aqui esteve, em 1939, foi campeão ao lado do próprio Djalma. Depois, quando permaneceu jogando por mais tempo, novamente campeão em 1945. Célio é ainda o primeiro jogador do Náutico vindo de outras terras que depois, ao pendurar as chuteiras, decidiu ficar residindo por aqui, casando com moça da terra e criando raízes pernambucanas. Exemplo que terá seguidores com o paraibano Salomão, com o paulista Ivan Brondi, o alagoano Lula Monstrinho, o gaúcho Paraguaio, com Beliato, Sidcley, Kuki e outros mais. Após o sucesso obtido no Náutico na primeira temporada, Célio retornou ao sul, contratado pelo Botafogo. Jogou no time da Estrela Solitária ao lado de ícones do futebol brasileiro, como o goleiro Aymoré, futuro treinador da Canarinha, e com seu irmão Zezé Moreira, também treinador da Seleção, com Heleno de Freitas, Canalli, Perácio, Patesko e com outros menos cotados. Retornou ao Náutico em 1944, quando então conquistou o seu segundo título estadual e onde ficou até 1949, tempo em que, por força da idade, teve que ceder o posto de titular da zaga central a Lula Vitorino, o Lula de Vicente, Caiçara e Lula. Nessa segunda estada nos Aflitos, Célio Araraquara jogou ao lado de Ivanildo Espingardinha, depois Sidinho, compondo a dupla de zaga que se encarregava do ofício de prestar proteção ao arco alvirrubro, na época defendido por Zeca Peneira.
Djalma e Lucídio


Acho arretado estas fotos antigas, com o elenco caminhando e posando pra foto... realmente era show de bola!
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