29 de jul. de 2012



Por ROBERTO VIEIRA



Caxambu/ site ALMA LUSA





Acredite se quiser. A Portuguesa de Desportos chegou em Pernambuco no dia 7 de janeiro de 1946. Desembarcou às 14:30h. No avião de prefixo PP-YPA da Aviação Aérea Santos Dumont. Antigo aeroporto do Ibura. Recebidos com festa pela grande colônia portuguesa, agradeceram, pegaram uns carros de aluguel e uma hora depois de chegarem ao aeroporto seus jogadores enfrentam o Sport. Surpreendentemente, em campo, Manuelzinho, Zago e Pitota foram incapazes de deter o talento do eleven lusitano.

Resultado? 4 x 2 para a Portuguesa com direito a show de arbitragem do paulista João Etzel, legenda em Pernambuco, juiz do famoso Pernambuco 9 x 1 Bahia pelo antigo brasileiro de seleções.

Após a pugna, bacalhau e vinho do Porto. E cama. Quatro dias depois, prélio noturno. A Portuguesa enfrenta o América de Leça, lenda do arco em Pernambuco e na Bahia. Verso de Gilberto Gil. O América é uma parada mais dífícil, mas a Portuguesa demonstra insuspeitado poder de reação. O primeiro tempo termina 2 x 0 para o time de Leça e Djalma. Fatura ganha? Que nada! Os lusos reagem na segunda fase e deixam tudo igual: 2 x 2.

A imprensa pernambucana vai a loucura. O Santa Cruz é a bola de vez. Mas a bola da vez falha. Mesmo com o reforço do médio-asa Arnaldo do Moinho Recife, o tricolor perde por 2 x 1. Resta o Náutico. Campeão pernambucano de 1945. Náutico que havia oferecido durante a semana um coquetel aos visitantes. Neto Campelo recepcionando os lusos. Coquetel que marcou a posse do presidente Aroldo da Fonseca Lima e do vice-presidente José Romangueira. Náutico consciente que não bastava a técnica para bater o quadro bandeirante. Era necessária a garra, a vontade de vencer.

O jogo? Uma batalha.

A Portuguesa abriu o marcador aos 2' do primeiro tempo. Achou que podia fazer as malas. Mas o Timbu inicia um bombardeio na área lusa. Aos 6' Plínio centra, Sabino escora para Djalma que encontra Genival de costas para o gol. Antes que a bola fuja ao seu controle, Genival acerta um sem-pulo no ângulo de Caxambu: 1 x 1. O Náutico segue atacando. Edvaldo serve a Baby que a para Luiz: 2 x 1. Djalma sofre pênalti quando estava de frente para o gol da Portuguesa. Edvaldo bate: 3 x 1.

Termina o primeiro tempo.

No segundo tempo, a torcida que estava dividida, torna-se toda alvirrubra. Mas a Lusa diminui: 3 x 2. Silêncio. Genival recebe falta que Etzel ignora. Vaia. Quando o jogo começava a se complicar, Plínio acerta a trave. A pelota retorna para Genival que decreta o quarto gol do Náutico: 4 x 2.

A batalha?

Garcia acerta o goleiro Zeca. Lorico chuta Djalma no chão. Plínio entra pra quebrar em Hélio. O árbitro perde o controle da partida. O campeão pernambucano vence a invicta Portuguesa. Na escalação Zeca; Saleitão e Célio; Sabino, Telesca e Edvaldo; Plínio, Genival, Djalma, Baby e Luiz.

Mas a Portuguesa levou mais que lembranças de vitórias e batalhas de Pernambuco. No avião que partiu do Ibura, viajava Simão contratado ao Sport. Simão que pouco depois chegou à seleção brasileira.
Imaginem se a Portuguesa levasse Baby, Djalma e Genival?

NOTA DO BLOG: Segundo jornais da época, o arqueiro Caxambu foi o inventos da 'ponte' quando atuava pelo São Paulo...


3 comentários:

  1. Que vença o melhor, hoje o jogo de seis pontos e dará Lusa!

    Saudações rubro-verdes!

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  2. Foi o primeiro alumbramento com o time campeão. Um dos primeiros que me oferecia a bandeira vermelha e branca. Dezembro de 1945, minha primeira alegia com o título (em 1939, ainda menino, somente tempos depois vim saber o que era isso). Em janeiro, o amistoso com o invicto e desumbrante time da Portuguesa. A vitória por 4x2 chega pelas páginas esportivas do jornal no dia seguinte. E não só a vitória. O encanto com a atuação do time. Com o jogo, um espetáculo nuca visto no Recife, como dizia a crônica. O Náutico um time de sonho. Com a camisa avirrubra, costume daquele tempo, o centromédio uruguaio Telesca, do Sport, e no ataque, Djalma, o artilheiro do América, e Baby, outro da Ilha, xodó da torcida rubro-negra. Quem sabe, um dia eles não fossem de vera jogadores do Náutico? Somente Djalma, campeão em 1951 ao lad de Ivanilo e Fernandinho. Telsca foi ser campeão pelo Fluminense (1946). Baby ficou por aqui, jogava somente porque gostava de jogar. Bons tempos. Ainda bem vivos na memória.

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  3. Lucídio disse... Corrindo eros e digitaçãoe
    Foi o primeiro alumbramento com o time campeão. Um dos primeiros que me oferecia a bandeira vermelha e branca. Dezembro de 1945, minha primeira alegia com o título (em 1939, ainda menino, somente tempos depois vim saber o que era isso). Em janeiro, o amistoso com o invicto e desumbrante time da Portuguesa. A vitória por 4x2 chega pelas páginas esportivas do jornal no dia seguinte. E não só a vitória. O encanto com a atuação do time. Com o jogo, um espetáculo nuca visto no Recife, como dizia a crônica. O Náutico um time de sonho. Com a camisa avirrubra, costume daquele tempo, o centromédio uruguaio Telesca, do Sport, e no ataque, Djalma, o artilheiro do América, e Baby, outro da Ilha, xodó da torcida rubro-negra. Quem sabe, um dia eles não fossem de vera jogadores do Náutico? Somente Djalma, campeão em 1951 ao lado de Ivanildo e Fernandinho. Telesca foi ser campeão pelo Fluminense (1946). Baby ficou por aqui, jogava somente porque gostava de jogar. Bons tempos. Ainda bem vivos na memória.

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Comentários