Por ROBERTO VIEIRA
Etelvina era divina.
Uma mulata exportação.
Treme Terra era o amor de Etelvina.
Centroavante rompedor do Ajax de Camaragibe.
Terror das peladas de toda região que agora recebe a Arena da Copa.
Jogo contra o Cobreloa.
Treme Terra perde dois gols feitos.
Um deles na linha de gol.
Etelvina se veste de rosa.
Espera o amante coberta de maus pensamentos.
Treme Terra nega fogo.
Etelvina passa as mãos na cabeça do artilheiro.
Não há de ser nada.
Domingo tem outro jogo e Treme Terra vai deixar sua marca.
Semana que passa.
Empate de 0-0 com o Ypiranga de São Lourenço da Mata.
Treme Terra até que vai bem.
Mas gol que é bom...
Etelvina se veste de esperança.
Treme Terra desconversa e foge da grande área.
Estabelece-se a crise conjugal e desportiva.
180 minutos sem gol é demais pra quem vive do gol.
Duas semanas sem toma lá dá cá com Etelvina é perigo de cartão vermelho.
Treme Terra corta a birita.
Treme Terra vai dormir mais cedo.
Treme Terra chuta duas bolas na trave contra o Korujão.
Etelvina tranca a porta de casa e vai passear com as amigas.
Treme Terra está só.
Ele e a bola dormem na rede em Tabatinga.
O técnico lhe dá uma última chance.
Etelvina?
Também.
O Atlético Pernambucano é timaço.
Treme Terra bota um trabuco dentro do calção.
Se não fizer um gol nos noventa minutos.
Tira o trabuco e mete uma bala na cabeça.
Artilheiro que não faz gol é homem sem valor.
Bola que rola.
A torcida pega no pé de Treme Terra.
Um bando de gavião bota os olhos em Etelvina.
Treme Terra tem medo de chutar errado e ser substituído.
Hesita.
Corre de lá pra cá.
O Atlético faz 1-0.
O time de Treme Terra diminui com Camaleão.
De repente, um cruzamento vem da esquerda.
Com açúcar e com afeto.
A boa sai dos pés de Preá e chega certeira na cabeça de Treme Terra.
Ele sobe e testa.
Cai no chão meio desacordado pela dividida com dois beques adversários.
Mas percebe o barulho da bola nas redes.
O grito insofismável de golllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll.
Treme Terra sente que o jejum foi embora de vez.
Etelvina era divina.
Uma mulata exportação.
Treme Terra era o amor de Etelvina.
Centroavante rompedor do Ajax de Camaragibe.
Nesse dia.
Treme Terra não deixou Etelvina dormir...

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