19 de jul. de 2012




Por ROBERTO VIEIRA







19 de julho é o dia dofutebol.

Culpa lá do Rio Grande.

Clube mais antigo doBrasil.

19 de julho é dia dementalizar.

O que seria do Brasil sem o futebol?

Com certeza um país melhor.

Sem essa lenga lenga de Copa do Mundo e Brasileirão.

As crianças iriam se concentrar nos estudos.

Os pais iriam bebermenos.

Ficar mais tempo em casa com a família.

Os políticos iriam aproveitar menos a boa fé do torcedor.

A grana das arenas seria transformada em hospitais.

A mufunfa da corrupção esportiva seria transformada em creches.

A maracutaia das confederações seria do povo.

Povo que poderia gastar o dinheiro com livros e jornais.

Indo pro cinema.

Curtindo uma paz sem torcidas organizadas.

O Brasil não seria pentacampeão do mundo.

Mas seria o campeão na ordem e progresso.

Ou não?

Será que nem tudo é tão fácil assim?

Botar a culpa no futebol de todas as nossas mazelas?

Tudo culpa do Pelé edo Garrincha?

Ou será que o Brasilteria se tornado um deserto insuportável.

Onde o roubo e a corrupção fossem haitianos?

Onde o pólo e o cricket fossem coqueluche nos clubes aristocráticos?

Enquanto os negros continuassem escravos descalços e mambembes?

Pois a única válvula de escape da pobreza estava fechada.

Mil vezes fechada pela falta de um gol?

Quem sabe a taligualdade racial – mesmo que de fachada

  • não estivesse ainda mais distante de nossos sonhos?

19 de julho é o dia do futebol.

Dia da única oportunidade de sorriso na fome e miséria do século XX.

O futebol não é o ópio do povo.

O futebol é o gol brasileiro aos 45 minutos do segundo tempo.

Um gol salvador em um país gigantesco.

Aterrorizante.

Um país que sem ofutebol.

Seria apenas mais um fantasmagórico navio negreiro...


Um comentário:

  1. Brilhante, Mestre. O esporte é, antes de tudo, uma ferramenta de sociabilização, de desenvolvimento cognitivo e de bem-estar. E o futebol dimensiona esta grande importância da prática esportiva, por sua simplicidade e dinamismo físico-mental. O futebol atual movimenta grandes quantias, e o que necessita ser feito é uma destinação mais humana a estes dividendos. Por que não se taxar uma parte das vultosas verbas recebidas por treinadores e jogadores para creches, asilos, escolas, hospitais públicos. Por que não se tirar parte da renda dos jogos, das cifras milionárias da CBF, das rentáveis Federações Estaduais de Futebol, e destinar a ONGs assistencialistas ? Por que não se tirar parte de cada venda de jogador e aplicar em construção de campos e quadras nas periferias da cidade onde o Clube tem sede? o lovefutbol tem um projeto interessante neste sentido. O futebol brasileiro é uma árvore que não tem entressafra. Uma floresta amazônica destas árvores que não têm entressafra. E ainda assim grande parte da população só as apreciam, não recebe a colheita de seus frutos.

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