Por ROBERTO VIEIRA
Parece loucura nos dias atuais.
Dias de ipods, ipads, mp3.
Mas não havia radiola lá em casa.
Isso quando eu tinha meus cinco, seis anos.
Os discos de meu pai.
Orlando Silvas e Núbias Lafayetes.
Permaneciam mudos.
Mas havia a televisão.
E nos intervalos entre novela e jornal - a sincronização era rudimentar nas TVs.
Havia os musicais.
Foi quando eu me apaixonei por ela.
Mireille.
L'amour est passé.
Tanto insisti que minha mãe foi comigo na Rua da Imperatriz.
E eu encontrei um disco dela.
Levei pra casa.
Mas ficava eu e o disco, mudos.
Aguardando os intervalos comerciais onde ela cantava.
Certa noite, a vizinha teve pena de mim.
Me chamou para a sala e colocou o vinil pra tocar baixinho.
Foi assim que eu ouvi pela primeira vez as doze faixas.
Ouvi com ouvido de crianças dos anos 60.
Guardando cada trecho da partitura na memória.
Para poder lembrar nos instantes de silencio.
Meu primeiro disco.
Quem sabe meu primeiro amor?
Como eu disse antes.
Parece loucura nos dias atuais.
Mas hoje, aniversário de Mireille Mathieu.
Me bateu uma saudade suave e terna como uma chanson francesa...

Ah Roberto,rolaram muitos bolachões dela lá em casa.Meu pai adorava. Já eu, nunca curti muito aquelas letras cheias de "tu jour lamour" e 'tres bien mercy". Tirante je T'aime que não passava de uma putaria com fundo musical.
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