20 de jul. de 2012





Por ROBERTO VIEIRA


Estádio quase centenário.

Os Aflitos possui muitas histórias.

Algumas conhecidas e outras não.

Uma destas histórias ocorre em 1950.

Pouco antes da Copa do Mundo.

Flamengo de Biguá em Recife.

Madureira de Josias e Benedito também.

Madureira que fazia sucesso por estas terras.

Os cariocas então decidem medir forças nos Aflitos.

Mas o que podia o Madureira diante dos rubro negros.

Nada.

No primeiro tempo.

Hélio e Esquerdinha estavam impossíveis.

Cada um marcou duas vezes.

E 4-0 foi pouco para o volume de chances perdidas.

Cochilo do Flamengo na volta do intervalo.

Tampinha diminui nas redes de Antoninho.

Mas no final da partida.

Esquerdinha de pênalti fecha a goleada.

Flamengo 5-1.

No esquecido Flamengo x Madureira dos Aflitos.



Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA



O amistoso Flamengo x Madureira no Recife, ocorrido a 19 de abril de 1950, só aconteceu porque o time rubro-negro carioca estava de passagem pela capital pernambucana para dois jogos programados contra Sport e Santa Cruz, em dois domingos seguidos. O time da Gávea vinha de uma longa temporada que se iniciara no extremo Norte no mês anterior. Depois de enfrentar os grandes de Pará − o Paysandu, a Tuna Luso e o Remo −, mantendo-se invicto em Belém, o rubro-negro carioca saiu fazendo a praça, jogando em Manaus e depois em Fortaleza. Arrumou ainda um jeito, e datas, para voltar ao Pará. Uma exibição em Santarém e a seguir, voltando a Belém, permitir a revanche aos times da capital, quando, enfim, caiu diante de um combinado Tuna Luso-Remo. Vendeu caro porém a invencibilidade, derrotado por 5x4.  De Fortaleza, onde venceu o Fortaleza, depois o Ceará Sporting, uma parada no Recife para os jogos contra os pernambucanos na Ilha do Retiro. Mais duas vitórias: 3x1 em cima do Sport, 2x1 contra o Santa Cruz.  O Madureira também andava excursionando, exibindo-se por perto nas praças da região, nos estados vizinhos. Nada mal que no meio da semana, na quarta-feira, acontecesse o jogo entre os dois times cariocas. Como somente o campo do Náutico dispunha de iluminação, permitindo a realização de jogo noturno, Flamengo x Madureira, um amistoso tipicamente caça-níquel, foi assim programado para os Aflitos. Está aí a explicação para o inusitado. Motivo mais que suficiente para ser lembrado por Roberto, como foi, entre as histórias fantásticas do nosso velho e querido quase centenário Aflitos.



No jogo contra o Madureira, o Flamengo jogou assim: Antoninho, Osvaldo e Job; Biguá, Bria e Valter; Aloísio, Gringo (Hamílton), Durval, Hélio e Esquerdinha. O Hamílton que no segundo tempo entrou no lugar de Gringo é o mesmo Hamílton que pouco depois deixaria seu nome gravado na história do futebol pernambucano como um dos seus grandes artilheiros. Artilheiro do campeonato pelo América já no ano seguinte (1952), em sua segunda temporada no time da Estrada do Arraial, transferindo-se logo depois para o Santa Cruz e a seguir para o Náutico, onde ficaria também por duas temporadas, em todos os anos aparecendo com um dos primeiros da lista dos goleadores do campeonato. Registre-se também que, no domingo anterior, no amistoso contra o Sport, o terceiro gol do Flamengo foi de sua autoria, o primeiro do rosário de gols que faria em nossos gramados,  136 no total segundo levantamento de Carlos Celso Cordeiro, juntando a esse gol para o Flamengo os que faria com as camisas do América, do Santa, do Náutico e da Seleção pernambucana.



Não somente Hamilton, entre os jogadores daquele time do Flamengo, um dia terminaria jogando por aqui, defendendo um dos nossos times. O zagueiro Job e o centromédio Bria vestiriam em temporadas distintas a camisa do Santa Cruz; o primeiro em 1956, o segundo um pouco antes, em 54. O atacante Gringo seria bicampeão pelo Sport (1955-56) e comandaria em mais de uma oportunidade o ataque de seleção pernambucana em jogos do  Brasileiro de Seleções disputados entre dezembro de 56 a fevereiro de 57. E o lateral-esquerdo Valter não é outro se não o Valter Miraglia de triste memória, o treinador que no tempo do Hexa, entre as temporadas do tetra e do penta, substituindo Duque, levou o time do Náutico a viver um dos maiores vexame de sua história num malfadado Quadrangular disputado no interior paulista. Anotem: três derrotas acachapantes, diante do Comercial (5x1) e Botafogo (4x1), de Ribeirão Preto, e Ferroviária (1x7) de Araraquara. Como era de se esperar, no retorno ao Recife, Miraglia foi dispensado, retornando Duque ao comando. O resto da história todos sabem: O Náutico pentacampeão em 67, depois gloriosamente Hexa.



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