30 de jul. de 2012



Por ROBERTO VIEIRA





A cama arrumada.

O jogador de futebol observa a festa na televisão.

Por que será que eles estão felizes?

Eles que vivem nadando em piscinas.

Eles que nunca nadaram em milhões.

E não se trata dos Phelps da vida.

Mas daquele garoto de uma república das bananas.

Feliz por ser o último colocado.

Difícil de entender.

Mulheres choram por umaderrota.

Homens feitos e barbados se abraçam comovidos.

Parece que existe um sentimento universal de loucura.

Cadê os procuradores?

Cadê os dirigentes e seus dez por centos.

Cadê aquele beijo regulamentar no escudo do clube?

Cadê as torcidas organizadas bagunçando o coreto?

O salto no infinito da ginasta se quebra em dor e desespero.

O ginásio se cala.

Cadê as vaias das arquibancadas quando se perde o pênalti?

Ao invés.

O aplauso ensurdecedor de quem nunca pode ser derrotado.

Pois a paixão pelo esporte.

A paixão pela luta contra seus próprios limites.

A paixão pelo que existe de mais belo na espécie humana.

Não tem preço.

O jogador de futebol desliga a televisão.

Olha para a bola no chão do quarto londrino.

Aquela bola que era seu brinquedo de criança.

Bola e jogador.

Agora são estranhos noninho...

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