Por ROBERTO VIEIRA
A cama arrumada.
O jogador de futebol observa a festa na televisão.
Por que será que eles estão felizes?
Eles que vivem nadando em piscinas.
Eles que nunca nadaram em milhões.
E não se trata dos Phelps da vida.
Mas daquele garoto de uma república das bananas.
Feliz por ser o último colocado.
Difícil de entender.
Mulheres choram por umaderrota.
Homens feitos e barbados se abraçam comovidos.
Parece que existe um sentimento universal de loucura.
Cadê os procuradores?
Cadê os dirigentes e seus dez por centos.
Cadê aquele beijo regulamentar no escudo do clube?
Cadê as torcidas organizadas bagunçando o coreto?
O salto no infinito da ginasta se quebra em dor e desespero.
O ginásio se cala.
Cadê as vaias das arquibancadas quando se perde o pênalti?
Ao invés.
O aplauso ensurdecedor de quem nunca pode ser derrotado.
Pois a paixão pelo esporte.
A paixão pela luta contra seus próprios limites.
A paixão pelo que existe de mais belo na espécie humana.
Não tem preço.
O jogador de futebol desliga a televisão.
Olha para a bola no chão do quarto londrino.
Aquela bola que era seu brinquedo de criança.
Bola e jogador.
Agora são estranhos noninho...

0 comentários:
Postar um comentário
Comentários