4 de jul. de 2012



Por ROBERTO VIEIRA








No vestiário, João Saldanha grita com todo mundo.

'Então só tem moça nesse time?'

Pelé olha com raiva.

Rivelino quer partir pra cima.

Brito ensaia o murro.

'Tá todo mundo brabinho... vão lá e acabem com eles!'

Gerson chama Clodoaldo.

'Vamos botar eles na roda!'

Com dez segundos, Clodoaldo taca a bola entre as pernas de Xavi.

A Espanha procura a bola.

A bola que viaja de pé em pé.

Carlos Alberto descobre Jairzinho na corrida.

O centro sai milimétrico.

Pelé cabeceia rente a trave.

Casillas salva por milagre.

Messi descobre que um campo de futebol pode ser solitário.

Tostão engana dois marcadores e toca para Pelé.

Recebe na frente e abusado finaliza.

Entre as pernas de Casillas: 2-1.

Os deuses do futebol desligam os celulares.

Pois outros deuses estão jogando em Munique.

Pelé receba pelota no meio campo.

E sai rodopiando por entre os defensores da Fúria. Furioso.

Dribla a todos, dribla Del Bosque, dribla e enfia o pé na bola no instante final: 2-2.

O público fica de pé.

Rivelino para Jair para Pelé para Tostão para Gerson para Everaldo.

Para Tostão.

O toque sai em diagonal.

Casillas e Piqué correm na direção do Rei.

Pelé passa direto pela bola.

Casillas e Piqué se chocam e desabam.

Pelé pega a bola do outro lado.

E toca de mansinho para as redes espanholas.

Brasil 3-2.

Pelé que pega a bola nas redes e desfila com ela até o meio campo.

Messi agora sabe.

O mundo inteiro sabe.

A bola?

Agradece...


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