Coincidências.
Nelson Rodrigues dizia que Deus está nas coincidências.
Nelson que sabia de Deus por sofrimento próprio.
Lá estava eu.
Procurando fotos da equipe de hóquei do Náutico.
Encontrei imagens no facebook da atleta Marcela Couto.
Legal!
Publiquei a foto no facebook.
E depois me dei conta de que Marcela era filha... do inesquecível Adilson Couto.
Mestre Adilson que nos deixou para narrar os jogos da eternidade.
Então.
Fui lá no passado do Blog - em 2009.
E peguei um pequeno texto que escrevi para o adeus do Mestre Adilson Couto.
Palavras.
Apenas palavras.
Palavras que aqui torno a publicar.
Um pequeno presente pra duas pessoas que dignificaram.
Com seu suor e talento inscrito no DNA.
O desporto que nos apaixona...
'O SEXTO SENTIDO'
O futebol é sentido.
O futebol é tato quando tocamos os pés nos estádios.
Quando sentimos a frieza do alambrado em nossas mãos desesperadas.
Quando sentimos o peso da bandeira amada contra o vento.
O futebol é olfato.
Aquela sensação de suor e lágrimas.
O cheiro do cachorro quente e dos banheiros sujos.
O olfato indistinto de todo Coliseu.
O futebol é gosto que se saboreia nas vitórias.
O sabor amargo na mais triste das derrotas.
A saliva lançada no chão amarga.
Salitre.
Escarro de desprezo pela fantasia nos tomada.
O futebol é a visão das belas jogadas.
Do gol perdido.
Do gol de placa.
A visão de um campo vazio ou lotado.
Os olhos que parecem soberanos narradores da verdade.
Mas eis a questão:
Entre todos os sentidos.
É exatamente o sentido do som que nos embala.
Nos carrega jogo adentro e vida afora inebriados.
É aquele ritmo alucinante em nossos ouvidos de meninos.
Ritmo selvagem.
Ritmo de guerra.
Ritmo de bola que vai e e vem como se todo jogo fosse final de copa do mundo.
Ritmo que dança a dança dos noventa minutos de uma partida.
Como se fossem os últimos noventa minutos de nossas vidas.
Ritmo que é pleno.
Pois quem é torcedor, sabe.
Podemos não enxergar, não cheirar, não tatear.
Podemos até não vislumbrar a bola nas quatro linhas.
Mas se temos em nossa mãos um pequeno objeto:
Um radinho.
Podemos sonhar.
E o sonho é o mais infinito dos sentidos.
O sonho nas ondas do rádio é o nosso sexto sentido.
Ontem, faleceu um narrador de sonhos genial.
Uma voz que embalou gerações nas ondas do rádio.
O homem do sexto sentido: Adilson Couto.
Noventa minutos de silêncio, por favor...


Marcela é uma alvirrubra de primeira linha, apaixonada pelo clube e uma pessoa de grande valor.
ResponderExcluirQueria muito que nossos dirigentes tivessem a mesma paixão.
Parabéns, Marcela.
Belo texto,numa grandiosa homenagem ao Rádio e ao grande locutor Adilson Couto.
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