Por ROBERTO VIEIRA
Albert Camus anda sem inspiração.
O Alger Republicain fechou.
Melhor deixar Argel.
Paris.
Zinedine está aposentado.
O craque sentiu o peso da idade.
A bola lhe fugindo aos pés.
O quarto abafado no verão francês.
Belcourt.
Camus reconhece o antigo jogador na tarde parisiense.
Zinedine sorri em sua direção.
A Argélia surge nas lembranças da pobreza.
Tuberculose.
Sentam pra conversar.
Camus escuta as lembranças do craque.
Todo problema longe dos gramados consiste em matar o tempo.
Quanto mais pensava?
Mais tirava um gol da memória.
Um drible na história.
Camus fica sério.
Zinedine explica filosófico.
Um jogador que tenha jogado apenas uma partida.
Tem lembranças para o resto de sua vida.
Dois estrangeiros nas ruas de Paris.
Camus foi goleiro.
Mas nunca conseguiu defender um chute de Zinedine.
O companheiro dos campos era mortal.
Nos dias de sol africanos.
A bola morria invariavelmente nas redes.
Zinedine se despede.
É seu aniversário de quarenta anos.
Camus observa o vulto se afastando na Ponte Saint-Michel.
Dois argelinos perdidos na França.
O Massacre de Charonne no coração.
Camus lembra que Francine está esperando em casa.
Subitamente, ele sente vontade de escrever sobre o velhoamigo.
Cabília.
O nome de Zinedine não pode ser usado.
Zidane também não.
Camus beija a esposa.
Coloca o papel na velha máquina de escrever.
Mersault?
'Hoje o futebol morreu...'


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