9 de jun. de 2012







Por ROBERTO VIEIRA         



Diante da monumental parafernália do século XXI. Diante do amor-segundo. Do amor vapt-vupt. Diante do ficar em vez de permanecer. Poderíamos decretar que o amor morreu. Aquele amor de casa branca. O amor que nunca viu e sempre amou. O amor do cinema paradiso.

Diante da monumental parafernália do século XXI – verdadeiro latifúndio da paixão - diante do impessoal facebook. Poderíamos fechar a porteira do meu eu, pequena propriedade com apenas dois moradores, sob o singular pretexto de que o amor morreu.

Viva o admirável mundo novo.

Em verdade, todo amante sonha com copyright do seu bem amado. Todo amante é inescrupulosamente egoísta. Deseja para si o objeto direto do seu amor. Tanto que em um mundo de leds, muitos anseiam por luz de velas. Em um mundo internauta, muitos navegam argonautas. Em um mundo de bolhas e alavancagens, roubar aquela rosa do jardim para ofertar ainda dá ibope. Em um mundo de pragmatismo e Microsoft. As tears go by.

Pois é. Tem quem permaneça aquele Corcel II 73. Gasolina e carburador. Em um mundo flex e virtual, alguns gaguejam Drummond quando vêem o objeto da paixão mesmo sabendo quanto lá fora habitam ruas tristes sem versos.

Bobagem, diria o corretor da bolsa de valores. Selic, títulos do tesouro nacional e milhagem são mais importantes. Mas, qualé! Os corretores também choram e sofrem por seus amores. Como amam as donas de casa, os carteiros e os mega empresários por este mundo afora. Ama o gari e o Onassis. Ama Jobs e Cebolinha.

O corpo vai ficando velho. Presbiopia. Rugas e risos das impossibilidades diárias. Broxadas aqui e ali nas antigas tarefas irrisórias do passado. O amanhã já é hipótese. Deixou de ser favas contadas. O sopro de vida do criador se esgota a cada passo, como sempre se esgotou, é verdade. Porém, não mais que de repente, existe a consciência absoluta do fato.

Nem por isso sofremos mais ou menos. Erramos, e erramos muito. Milhares, milhões de vezes todos os dias. Por absoluto excesso de humanidade. Mas existem apenas dois pecados mortais: imaginar-se infalível e renegar o amor.

Em vez da culpa, por que não carregar nos ombros o compromisso de aprender? Aprender com meus erros. Milhares, milhões de vezes todos os dias até teu suspiro final.

Mas o que eu queria dizer lá no começo, eu que padeço desse mal do século XIX, a prolixidade, o que eu queria dizer é que não deixemos de acreditar no amor. Não deixemos de acreditar nas mãos dadas ao luar. Não deixemos de acreditar no dia dos namorados.

Não.

Não estou falando do dia comercial e marqueteiro. Falo do dia dos namorados vivenciado o ano inteiro. Dentro do coração de quem ama. Ninguém deve ficar triste nesse dia. Triste ou indiferente. Pois indiferente é pior que triste.

Como ninguém deveria quedar acostumado ao amor-migalhas. Aquele amor que enferruja no coração. Amor de hábitos vitorianos. Amor que se convencionou pela força dos anos, e não pela força do amor.

Se o teu amor é faz de conta? Levanta e diz adeus a este amor. Ele não serve. É engano e perda de tempo. E quem engana o amor engana ao universo.

O amor existe. Muitos já avistaram na rua esse amor em todo seu esplendor. Vivo, jovem, aflito. Maduro, sereno e lindo. Velhinho, caduco e rindo.

Mas o amor só se entrega pra quem o procura.

O amor não conhece ninguém só o amor.

O amor precisa que alguém abra a porta de sua casa para que possa entrar.

Não.

O texto não está preocupado com a morte do amor. O amor é inquebrantável. Inexaurível. Insaciável.

O texto está preocupado com a sua felicidade. O texto deseja que você seja feliz, plena e totalmente, e a gente só pode ser feliz quando ama. Não tenha medo. Brincar de amor é fácil. Toda criança sabe brincar de amor.

O que? Onde você deve procurar o amor?

Procure no lugar mais simples possível.

Pois é!

Comece procurando no seu coração...



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