13 de jun. de 2012








Por ROBERTO VIEIRA



O aniversário havia sido na véspera.

Dez anos de idade.

O domingo estava sendo no interior.

Chuva, milho assado e pelada com os amigos.

Mas na hora da final da Copa do Mundo?

O menino foi pra frente da televisão.

Assistir mais um massacre da Holanda.

Massacre que tomou forma com um minuto de jogo.

Na telefunken de imagem duvidosa.

Culpa da repetidora de Limoeiro.

Maier salta num canto.

E a bomba de Neeskens vai no meio do gol.

A Holanda já é campeã.

O menino se distrai no resto do primeiro tempo.

Até o próximo grito de gol.

Breitner empata.

O primeiro gol que a Laranja toma na Copa - gol contra não vale.

O menino prega os olhos na telefunken.

E no instante final do primeiro tempo.

Gerd Muller gira e vira o marcador.

Nos quarenta e cinco minutos finais daquele 7 de julho de 1974.

O menino perde pela primeira vez a inocência.

O sonho martela a defesa alemã.

Mas a bola não entra.

O sonho perdeu para os pernas de pau.

O menino passa a tarde brincando com Duque.

O cachorro vira lata que fica calado.

Em respeitoso silencio pela dor do dono.

Os livros mentiam.

As professoras mentiam.

Papai e mamãe mentiam.

Nem sempre vence o bem.

Nem sempre nosso sonho se torna realidade.

Demorou alguns anos para o garoto perceber.

A elegância de Beckembauer.

A aristocracia de Overath.

A genial insanidade de Sepp Maier.

Mas quando o garoto começava a sonhar novamente.

Na véspera dos seus dezoito anos surgiu Paolo Rossi.

E os olhos marejados voltaram no tempo.

Ao dia na pequena cidade de Limoeiro.

Quando seu coração perdeu pela primeira a inocência...


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