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17 de jun. de 2012

A FALSA BOLA DE 50 EM LEILÃO

Uruguaios questionam origem de bola da Copa de 1950 que será leiloada em Porto Alegre

No dia 19 de junho, a bola da derrota brasileira no Maracanazo será exposta e vendida

Uruguaios questionam origem de bola da Copa de 1950 que será leiloada em Porto Alegre Reprodução/
Bola da Copa do Mundo de 1950 será leiloada em Porto Alegre no dia 19 de junhoFoto: Reprodução
Repousa em uma casa de leilões do bairro Floresta, em Porto Alegre, entre milhares de antiguidades e raridades, uma polêmica uruguaia: a bola do Maracanazo, a final da Copa de 1950, quando perdemos para a Celeste no Rio.
A pelota de couro, assinada por todos os nossos algozes, com dimensões diminutas se comparadas com as atuais, é apresentada como herança do carrasco Ghiggia. Mas, em Montevidéu, o jornal El País levantou dúvidas sobre a origem do tesouro.
A bola será leiloada no dia 19 de junho. A Associação Uruguaia de Futebol quer comprar a peça e pediu auxílio ao Banco da República. Até jogadores como Loco Abreu, ex-atacante do Grêmio, atualmente no Botafogo, começam a mobilizar-se para ajudar na aquisição da relíquia.
O El País contou na sua edição de ontem a história de Gladys Castro, viúva de Julio Pérez, um dos heróis uruguaios e que atuou no Inter anos mais tarde. Gladys recorda que a bola do Maracanazo, autografada por todos os atletas, havia sido colocada como uma espécie de santo graal na capela de San Cono, no departamento de Florida, pelo goleiro do Uruguai, Máspoli, 40 dias após a conquista de 16 de julho de 1950. O local virou um museu improvisado _ Gladys apresenta como prova um recorte de um jornal brasileiro de 1957, cuja reportagem havia ido à igreja revisitar a maior tragédia do futebol verde-amarelo.
Uruguai tem sua versão do roubo da Jules Rimet
De San Cono, a bola foi levada em 1980, juntamente com caneleiras, chuteiras e camisas de Julio Pérez, Schaffino e Migues, no episódio que ficou conhecido no país vizinho como "El robo del siglo" (o roubo do século) _ a versão uruguaia da Julies Rimet, a taça do tricampeonato brasileiro, roubada para ser derretida e vendida como ouro.
– A bola que está em Porto Alegre parece ter as mesmas assinaturas da que estava em San Cono, mas não temos como provar isso _ disse o editor do caderno de cidades do El País, José Luiz Aguiar, que não sabe dizer se há mais de uma bola do Maracanã de 1950 autografada por todo o elenco uruguaio.

Segundo o proprietário da Agência de Leilões (a casa na qual ocorrerá a venda), Daniel Chaieb, a peça foi adquirida por um colecionador porto-alegrense em Londres, na casa de leilões Bonhams. A identidade do comprador gaúcho e o valor pago pela peça são sigilos da casa. Pela venda da bola, cujo lance inicial será de R$ 45 mil, o colecionador receberá 80%. O restante fica com o leiloeiro.
Chaeib garante a autenticidade da peça. Assegura que é a bola do fatídico 2 a 1 do Maracanã, o jogo que colocou o goleiro Barbosa como um dos vilões nacionais por décadas. Apega-se ao documento firmado no Tabelionato Cerdeña, em Pando (Uruguai), no departamento de Canelones, em 30 de abril de 2005, quando Alcides Edgardo Ghiggia, o homem do gol do título uruguaio _ hoje com 85 anos e vivendo na cidade de Las Piedras _, assinou a cessão da bola a Deybe Justo Borreani Pouso. No documento, consta que a mãe de Deybe, Delia Aurora, era uma vizinha e amiga da família do jogador, e foi para ela que Ghiggia teria presenteado a bola da final, logo depois da conquista, assinada por todos os heróis celestes.
– Tenho certeza que é a bola do Mundial. Há uma prova documental sobre ela – afirmou Chaieb.
O certo é que a bola irá a leilão (assim como a camisa que o brasileiro Vavá utilizou na Copa de 1962, com lance inicial de R$ 12 mil). Os xeques do Museu do Futebol do Catar já demonstraram interesse na compra. A peça deverá ser exposta às 22h do dia 19 (o leilão começa às 20h30min). Polêmicas à parte, 72 anos depois o Maracanazo segue vivo. Agora, em Porto Alegre.

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