13 de jun. de 2012







Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM



O gol de Araújo, dois dias depois, continua rendendo citação e homenagens na TV. Entre os mais bonitos da rodada. Na seleção dos melhores lances. Não se trata de um gol espetacular, o chute violento e colocado, na gaveta, estufando as redes. A falta batida por Juninho Pernambucano no jogo do Vasco contra o Bahia. Belo gol. O de Messi, repetição de tantos já feitos com a camisa do Barcelona. A arrancada característica do argentino, o pé no acelerador depois de horas e horas de toco e me voy, um rastro luminoso ficando para trás e o chute indefensável da entrada da área. Não, o gol de Araújo nada tem de espetacular. Mas foi um gol de craque. A paradinha da bola em plena corrida, trocando de pé. O direito sutilmente colocado sobre ela, mudando o sentido do lance. A zaga continuou na jogada, para onde estava indo a bola e seu condutor. A de Araújo era outra, totalmente diferente. Nova. Inesperada. Improvável. A bola à disposição do pé esquerdo, o bom, limpa, pronta para ser disparada fora do alcance do goleiro (também levado para o outro lado, onde a lógica da jogada recomendava). Tudo isso acontecendo na chamada “zona do agrião”, onde o que não faltam são chuteiras desvairadas para a “bola pro mato” e a ausência de luz que só assiste àquele que, no instante decisivo, somente ele vê o que ninguém mais vê. O gol de Araújo foi uma pintura. Jogada de quem sabe.

Mas o que se ouvia antes e o que se dizia nos jornais, pelos gols que perdeu em jogos anteriores, é que Araújo, 34 anos, era um jogador em decadência. Diferente da recepção dada a Marcelinho Paraíba, outro veterano rodado pela Europa, França e Bahia, quando aqui chegou há dois anos com idade bem próxima, dois anos mais velho que o pernambucano da terra de Vitalino. Prestem atenção a Araújo. É um craque. Pode fazer a diferença para o Náutico este ano.


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