8 de jan. de 2009



Em 1977, o Náutico havia desfeito um senhor time.

E vivia contratando a esmo: Zuza, Didi Duarte, Campos, Fedato.

Um caminhão de jogadores no meio do campeonato.

Quando a vaca estava indo pro brejo.

Em 1977, o Náutico contratou Macunaíma. Ou melhor, Ademir 'Titica' Morais, 22 anos.

Um jogador que chegou e foi comparado a Dario.

Só que 'com muito mais categoria...' como diziam os jornais da época.

Titica acreditou nos jornais, acreditou nas pessoas, acreditou nos adjetivos.

A pior coisa que pode acontecer a uma pessoa é acreditar nos adjetivos.

Adjetivo é coisa passageira. Pro bem e pro mal.

E lá foi Titica ser Macunaíma na vida.

Titica que tinha feito gol em cima de gol no paulistão.

Mas era um Macunaíma sem sorte, apenas bolas na trave. Nenhum gol.

Começou contando piadas e depois foi se tornando piada da cidade.

Quando fez um gol em treino, foi ovacionado. Lágrimas.

Cidade impiedosa.

Recife, cidade ingrata.

Titica foi sendo destruído pela fama.

Com ele, o Timbu venceu o terceiro turno. Foi para uma final interminável contra o Sport.

Final perdida depois de quatro horas de jogo.

Mas naquela final, Titica já não era Dario.

Nem Xerxes.

Nem Macunaíma.

Titica já era folclore. Chacota. Esquecimento.

Uma matéria da revista Placar contava das bolas na trave.

Do Salvador da Pátria que não salvara ninguém.

E Titica voltou para São Paulo. Continuou jogando.

Aos poucos se perdendo nos caminhos de Garrincha.

Até se tornar uma lembrança no túnel do tempo.

Uma crônica.

Uma foto amarelada de um jornal que ninguém lê.

[imagem]


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