8 de jan. de 2009






Por ROBERTO VIEIRA


Conheci apenas um profeta em minha vida. Foi em 1982, quando comprei um livro chamado A Terceira Onda. Aliás, profeta talvez não seja o termo adequado, ele prefere ser chamado de futurista. O nome do futurista é Alvin Toffler, e ele continua vivo, ensinando quem deseja aprender. Aos 80 anos, deu algumas palestras na Bahia em outubro de 2008.

E o que tem Alvin Toffler a ver com o futebol pernambucano?

Alvin Toffler tem a ver com tudo o que habita nosso universo contemporâneo. Mas no caso da terceira onda, tomei emprestado o título, apenas.

A primeira onda do futebol nacional acompanhou a economia brasileira. O futebol chegou em São Paulo e abraçou o Distrito Federal. Tinha tudo para ser unha e carne com os paulistas, mas a força política da metrópole deslocou o eixo para o Rio de Janeiro. Os clubes da região dominaram o futebol amador e a infância do futebol profissional. Tanto que o primeiro torneio nacional foi o Rio-São Paulo.

O Campeonato de Seleções era fundamental na integração nacional. Mas só dava Rio e São Paulo. Os grandes nomes que surgiam na província, voavam para as duas cidades. Fausto, Orlando, Ademir, Tesourinha e tantos outros.

Nos anos 60, surgiu a segunda onda: Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A construção do Mineirão acompanhou-se da chegada de Tostão e cia. no Cruzeiro. Recordes de renda em cima de recordes de renda nas Alterosas. O título da Taça Brasil em 1966, na Toca da Raposa, e o Brasileirão 1971, para o time do Atlético.

Enquanto isso, os gaúchos se organizavam baseados na rivalidade. O poderoso Grêmio de Alcindo e Aírton chegava nas finais dos torneios, sendo acompanhado logo após pelo Internacional de Scala e Figueroa.

A segunda onda, meus amigos, chegou pra ficar.

Pelas mãos da siderurgia de Juscelino e dos resquícios da política dos pampas. O Rio Grande que teve como governantes, em cargos federais, Vargas, Jango, Costa e Silva, Médici e Geisel. Tudo de uma levada só.

Alguns nem sabiam chutar uma bola? Mas sabiam destinar uma verba!

"Mudar não faz parte da vida, é a própria vida!"
Alvin Toffler


Hoje, estamos na véspera da terceira onda no futebol nacional. Uma onda alavancada pela economia de Pernambuco. Pela refinaria e estaleiro. Estaleiro que é uma indústria, por origem, pernambucana. Buscando ocupar um lugar que poderia ter sido da Bahia, não fossem tantos os descaminhos da dinheirama em Salvador. Pernambuco tem a oportunidade de usar a rivalidade e a tradição locais numa aventura ímpar. Aventura que não pôde ser tentada, nem pelo Náutico do hexa, nem pelo Sport de Queixada.

Faltava o vil metal. As vitórias eram fruto do talento, porém, careciam do suporte financeiro.

Futebol, teatro e a arte em geral, vivem do mecenato ou do acúmulo de capitais.

Na renascença, a Fiorentina seria um timaço. Na revolução industrial, o Manchester ou o Liverpool.

No ciclo da cana-do-açúcar? Daria Náutico, Sport e Santa nas cabeças.

Simples, óbvio, claro.

Juntamente com a terceira onda, chegará em nossa terra o Choque do Futuro.

Um choque que mudará corações e mentes.

Mentes que estão atrasadas, na era medieval.

Pois, não basta o dinheiro.

Tem de arejar os neurônios da Marim dos Caetés.

Duvida?

Em 1977 o São Paulo já fazia censo entre seus torcedores.

Antes de Alvin Toffler, antes de Margareth Thatcher, antes da Aids e do computador pessoal...


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