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23 de jan. de 2009

O EUSÉBIO DE TRÓIA



Por ROBERTO VIEIRA





                                                                










Uma frase minha foi citada no Blog Jumento de Tróia.
 
Blog dos amigos Andres Rojas e Bruno Oliva.

A frase é a seguinte:

"Cristiano Ronaldo não amarraria as chuteiras de Eusébio".

Frase publicada aqui e no Blog do Juca na véspera do último Brasil x Portugal.

Os colegas afirmam que eu nunca assisti Eusébio jogar.

Portanto, não sou qualificado para estabelecer comparações.

Será?

Não morei em Portugal.  É fato.

Tenho apenas 44 anos.

Mas, assisti Eusébio, aqui mesmo no Arruda.

[IMAGEM]

(Na foto acima, a chegada dele a Recife)

Arrebentando na Minicopa de 1972.

Já velhinho.

Jogando uma bola tão redonda que até hoje não me esqueci.

Nunca mais vi um jogador 'tão craque' ao vivo.

Recife só viu outro igual:

O tal do Rei Pelé.

Rei Pelé que é comparado a Romário no Blog Jumento de Tróia.

Porém, fora o fato de ter assistido Eusébio.

Fato que os meus amigos desconheciam.

Tem outro detalhe.

A Ilha de Madeira não é Moçambique!

Caros Andres e Bruno:

Vocês ja passaram fome?

Espero que não!

Pois Eusébio passou!

Aliás, dos 11 maiores jogadores da história.

10 passaram!

Os 11 não foram escolhidos por mim, meus amigos.

Foram escolhidos por pessoas que entendem muito mais de futebol.

Eu sou apenas um mero amador.

Um apaixonado.

Um aprendiz, como diria o Mestre Chico.

Passar fome não torna ninguém um craque.

Mas ser craque com uma Ferrari na garagem é mais fácil.

Maradona passou fome.

Cruyjff e Beckembauer sofreram na Europa do pós-guerra.

Di Stéfano e Puskas entravam nos estádios de penetras.

Garrincha e Iashin, idem.

Pelé era melhorzinho.

Trabalhava de engraxate.

Pra jogar bola tem de ser pobre.

Comer o pão que o diabo amassou.

Kaká é craque.

Mas não tem o olhar de abutre do argelino Zidane.

Quando é xingado, ele dá a outra face.

Zidane dá uma cabeçada.

(Isso foi uma ironia)


O futebol, e seus gênios, é filho da miséria.

Eusébio saiu da África miserável.

Chegou em Lisboa no inverno lusitano.

Passou frio.

Chorou pela sua mãe.

Pelos seus irmãos.

Morria de medo quando se machucava.

Podia ser a volta para a pobreza maligna.

Marcou 9 gols em uma Copa do Mundo.

Chegou em 5 finais européias.

Pra mim, Eusébio sempre será o maior jogador português de todos os tempos.

E se vocês pensam que Cristiano Ronaldo é tão bom assim.

Cristiano também prefere Eusébio.

E é melhor a gente nem falar em José Águas!

Aí a conversa dura duas semanas!

Um grande abraço,

Roberto 

PS: Como benfiquista, anexo logo abaixo, uma foto tirada na terça-feira passada no Bar do Neno. Ao meu lado, dois portugueses: Seu Jayme, sócio do Benfica desde 1942. Do outro lado, Manuel, sócio do Benfica desde 1982. Manuel que foi dirigente da Federação Moçambicana de Futebol durante 6 anos. Se vocês não acreditam na minha palavra sobre Eusébio, acreditem na palavra de Jayme e Manuel.  A faixa que ostento foi presente pela minha paixão lusitana.

          

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