O texto abaixo é história.
Texto do grande Fernando Menezes.
No Jornal do Commercio de 21 de junho de 1985.
Recorda um gol de placa do Mestre Edgar Mattos.
Edgar que nessa vida já fez gol de tudo que é jeito.
Gols antológicos.
Cerebrais...
Como nessa homenagem ao imortal Alexandre Borges...
Por FERNANDO MENEZES
O Governo do Estado, através da Secretaria de
Educação, inaugurou ontem, com o nome de Alexandre Borges, um moderno
ginásio de esportes. A homenagem perpetua assim a memória de um
extraordinário desportista e educador. Prematuramente falecido O
secretário Edgar Mattos mais do que ninguém sabe da justiça desta
homenagem, ele mesmo companheiro de Alexandre, componente de um meio
campo clássico no Colégio Nóbrega e nos juvenis do Náutico. Edgar um
meia armador de toque fino e Alexandre volante dos melhores que já vi
atuar, pela combatividade, pela absoluta pureza do seu futebol e o que é
mais importante pela lealdade do seu jogo.
Alexandre não foi apenas um craque, sobretudo foi um
homem sério que ainda jovem , já treinador de futebol, manipulou uma
geração de craques inesquecível. Mais tarde, educador competente,
professor de Educação Física, preparou em várias modalidades,
especialmente no futebol, centenas de jovens que ainda hoje lembram com
respeito suas lições e seu exemplo. Observado como treinador, seja no
Sport, no Náutico, nos juvenis, ou no Santa Cruz e no América, com os
profissionais, Alexandre deixou marcas de estrategista dos melhores do
nosso futebol. Avançado para o seu tempo¸ Alexandre era também um
teórico do jogo. Mantinha relações de amizade e troca de experiência com
os melhores treinadores de sua época. A morte o colheu demasiado cedo,
mas se houvesse vivido um pouco mais certamente teria ultrapassado
nossas fronteiras e teria brilhado no cenário nacional.
Eu o vi começar, ainda na rua do Sossego, fabricando
bolas de meia com incrível perfeição. E as usava para aprender a dominar
o balão quase com a intimidade do irmão.Depois era o Alexandre
estudioso do jogo. Anotava tudo que via numa partida de futebol,
mantinha dezenas de cadernos de desenho reproduzindo os jogos do nosso
campeonato, especialmente do Náutico, seu clube do coração. Não raras
vezes o vi transportar dos desenhos pra a mesa dos seus botões as
jogadas que considerava erradas. Procurava alternativas de marcação,
jogadas ofensivas, , enfim, procurava dominar todos os segredos do jogo.
Eu o vi também em campo, estivemos juntos muitíssimas vezes no Colégio
Nobre ou ali bem perto do ginásio que hoje leva seu nome, às margens da
maré, por traz do Treze de Maio.Eu um medíocre ponta direita,
incentivado pelos gritos incessantes do nosso pato rouco, como o
chamavam seus amigos.Inutilmente pois o que me faltava não era
orientação, era o essencial, talento mesmo. Alexandre se foi mas deixou
um exemplo e uma legião de agradecidos atletas, hoje pais de família,
que não esquecem o esporte praticado com pureza, talento e lealdade. O
secretário Edgar Mattos fez ontem mais uma jogada em tabelinha com
Alexandre. Alexandre deu o passe perfeito ao Edgar que recebeu e
devolveu na frente, construindo o ginásio pra novas gerações com o nome
desse desportista e educador que Pernambuco não esquece. E não apenas os
familiares de Alexandre estão agradecidos, seus amigos e ex:alunos
também, todo mundo fica feliz quando se faz justiça.
[IMAGEM] Edgar Mattos
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