
Por ROBERTO VIEIRA
Como nasce um grande time?
Da noite pro dia?
Geração espontânea?
Não, meus amigos.
Leva tempo.
O tal tempo que o campeonato pernambucano não permite.
Os grandes times da história são montados com calma.
(Quem já teve time de pelada, sabe...)
Talvez por isso, nunca mais houve um grande time no futebol.
Tudo hoje é imediatista.
Não existe espaço para criar uma Santa Ceia.
Os apóstolos de hoje, não são os mesmos apóstolos de amanhã.
A foto acima é emblemática.
Mostra o poderoso São Paulo de 1980.
Trouxe Renato do Guarani.
Oscar da Ponte Preta.
Recuou Dario Pereira para a defesa.
Aliás, levou tempo pra recuar o Dario Pereira pra defesa.
Muita gente insistia em devolve-lo pro Uruguai.
Tinha Valdir Peres, Getúlio e Serginho.
Promoveu Zé Sérgio da base.
Ah, compraram também o Paulo César e o Everton.
Deu certo?
No início, nada.
Perderam tudo.
Depois se acertaram.
Ganharam o Paulistão em cima do Santos: 1 x 0.
Mas naufragaram em duas tentativas no Brasileirão.
Libertadores?
Só nos anos 90.
Formar um grande time não tem fórmula exata.
Junta uma pitada de experiência aqui, outra de juventude ali.
Toma-se vaias e gritos de burro no varejo.
Até que um dia as peças se interceptam.
Em um jogo qualquer do campeonato.
Assim é a origem dos grandes times.
Assim nasceu o River Plate pelos pés de Peucelle.
O Honved pelos pes de Puskas.
O Real Madrid de Di Stéfano.
E em menores proporções, o Náutico de Espingardinha nos anos 50.
O Timbu de Bita nos anos 60.
Ou o campeão pernambucano de 1989, pelos pés de Erasmo e Bizu.
Até o famoso Sport de 1975, a Seleção do Nordeste?
Perdeu o primeiro turno por 2 x 1 contra o Náutico.
De virada, e o Náutico com 10 jogadores.
Náutico que jogava de olhos fechados.
Quem viu, lembra.
Foi uma arquitetura da destruição.
Um quebra-cabeças.
Com isso, não quero dizer que o Náutico já é uma profecia garantida.
Quero apenas dizer que os jogadores estão aí.
Roberto Fernandes é competente e tem vínculo com a história do clube.
Como Capelli.
Como Fantoni que não queria escalar Jorge Mendonça no time.
Mas a competência um dia descobre o ovo de Colombo.
O Náutico de hoje tem elementos mais competitivos.
Mais técnicos que os últimos Náuticos.
Tomo por exemplo o Náutico de 2001.
O paradigma de equipe montada nas coxas.
Sendo vaiada no primeiro turno do estadual.
Vencendo duas vezes o Sport.
Ficando sete pontos atrás no primeiro turno.
Reagindo na bandeirada final em Limoeiro.
Toda origem de um grande time é um parto.
Gemelar.
À forceps!
Quem viver, verá!!
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