Um jogador de futebol não nasce feito.
Só torcedor cego e surdo pensa assim.
Jogador é obra de séculos.
Cristal.
1975.
Final do Paulistão.
Muricy Ramalho era um jovem craque entre gigantes.
Formava o meio campo tricolor com Chicão e Pedro Rocha.
Serginho Chulapa no ataque.
Bola que vem, Dicá da Portuguesa domina.
Dicá, cérebro e artista.
Muricy bate.
Dicá cai.
O juiz Boschilla expulsa.
Muricy chora.
Apesar de jogar com 10 jogadores, o São Paulo é campeão.
Nos pênaltis, pra variar, naqueles anos de Valdir Peres.
Muricy, ainda chorando, desce aos vestiários da Portuguesa.
Vai pedir desculpas a Dicá.
Quando chega lá é abraçado por Dicá.
Dicá que brinca com o menino.
Não foi nada.
Tudo fingimento.
Malícia de quem já tinha veneno pra dar e vender.
Se o São paulo perde o título?
Podem ter certeza que acabava ali a carreira de Muricy Ramalho.
Um garoto que passou anos sendo lapidado nas categorias de base do Morumbi.
Anderson Lessa e Tiaghinho vêm aí!
Calma torcida alvirrubra...
Muita calma e inteligência.
Artigos raros nas arquibancadas.
E calma, mais ainda, senhores dirigentes.
Pois quem comanda o barco tem de conhecer a tábua das marés...
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