8 de jan. de 2009





O texto parece anacrônico, mas não é.

É sobre o último solteirão convicto da torcida tricolor: Meu cunhado, Paulo Monte.

O Dimas, do Blog Torcedor Coral, foi de uma felicidade rara nas palavras.

Vamos agora esperar o gol de Paulo.

Senão...





Paulo vai casar. Olho para o céu e procuro sinais de um milagre. Qualquer coisa. Mudança climática fazendo a temperatura em Recife cair abaixo de zero, o sertão virando mar - como o nosso Santinha - ou bolas de fogo cruzando o espaço sideral e anunciando o fim dos tempos. Infelizmente, da minha janela não vejo nada.

Ligo a TV na esperança de encontrar uma notícia reveladora. Mensagens cifradas em forma de boas-aventuranças. Penso na paz entre judeus e palestinos ou mesmo no fim da miséria e da fome em todo o planeta, mas não há indícios sustentáveis. Talvez eu tenha, por força da convivência com as religiões, esperado sempre por milagres grandiosos demais. Um tolo assim não veria que um pequeno sinal já era o bastante. Acontecimentos formidáveis são milagres mesmo em tamanho P. Bastaria, por exemplo, que o amor de um cão por seu dono o tivesse salvado da solidão. Eis a prova contudente de um milagre. Mas a TV não mostra nada disso. Judeus e palestinos continuam em conflito e a crise econômica leva o caos ao redor do planeta.

Homem de pouca fé, fiz o que todo jornalista esportivo faz. Especulei. Sordidamente especulei. E espalhei boatos. Disse aos quatro cantos que o pai da moça, um rubro-negro de carteirinha, prometera mudar de lado e acrescentaria o branco entre suas cores, caso Paulinho se decidisse a casar. Os mais céticos não acreditaram que ele beijaria a bandeira e o escudo corais no meio da multidão em plena praça principal da cidade de Limoeiro. Acrescentei, com boa dose de cinismo, que ele choraria de emoção ao perceber que se entregara a um amor verdadeiro. Um amor que só um torcedor coral é capaz de sentir. Porém, veio o arrependimento e desisti de tanta sordidez. Afinal, sou tricolor e prezo pela verdade, nada mais que a verdade. E, em nome da verdade, achei melhor me enveredar pelo emblemático caminho da apuração dos fatos.

Quem conhece Paulinho sabe bem porque falo em milagres. Solteiro convicto, caso raro, homem autêntico, parece que ele finalmente sucumbiu aos encantos de Ana, sua bela noiva. Perguntei-lhe a razão da mudança de direção, o motivo da ruptura de convicções tão fortemente arraigadas. Envolto em mistérios, Paulo não respondeu. Deu apenas um sorriso enigmático, como a Monalisa.

Cavucando o passado, lembrei que meses atrás, quando o diminutivo levou o Santa à beira da extinção, como se fosse um dinossauro, Paulo prometeu se casar no retorno do clube à Série A. Ana, pelas péssimas perspectivas, achou que era tempo demais. Talvez o clube se acabasse. Afinal, chegou tão perto! Paulo manteve-se irredutível. Entretanto, toda mulher sabe o caminho que leva ao coração de um homem. E o caminho percorrido por Ana, por mais prosaico que parecesse, mostrou da forma mais reveladora o amor de Paulo, tanto por ela quanto pelo Santa Cruz.

Conta-se que no dia 18 deste mês Paulinho recebeu da noiva um presente com DVD e artigos que lembravam o aniversário de 25 anos do supercampeonato de 1983. Surpreendido de forma tão contundente, ele teria pedido a namorada em casamento ali mesmo, naquela hora cercado de profundas emoções. Já em casa, Paulo escreveria o artigo Édson Bonifácio Gomes, 25 anos atrás sobre o grande título do Santinha.

Entendi finalmente que o milagre não era o casamento de Paulo. Este era apenas um sinal, um traço de luz rasgando o céu e apontando o caminho da redenção, pois o milagre estava em outra parte: na retomada do Santa Cruz em direção a glória.

Com seu casamento, Paulo nos ensina que milagres são reais e Ana, que os sonhos são possíveis. Nossa esperança ressurgiu com esta nova gestão para vencer o medo. Já fomos capazes de sair do fundo do poço. É chegada a hora de, quem sabe, viajar por mares nunca dantes navegados.

E é assim, com o coração cheio de esperança, que acredito mais do que nunca no Santa Cruz em 2009. Sim, milagres são reais. Paulinho já nos deu o primeiro sinal.

Agora, nos dedos do casal repousa a aliança coral.

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