9 de dez. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

"Em 1942 uma multidão tricolor recebe Leônidas na Estação Norte em São Paulo. Enquanto isso, a torcida do Flamengo..."



Na vitrola uma voz antiga insiste:

'... te amei, como ninguém te amou querida, de ti o menor gesto adorei, esquecido da própria vida!'

O barzinho é simples, mas o tira-gosto é honesto. O velhinho, torcedor rubro-negro, prossegue no verão carioca:

"Não é de hoje, não! Por mim, eu queimava a camisa do Ronaldo também. Deve ser inveja daquela gente. Agora, eu nunca gostei de São Paulo.

Desde sempre. Uma dessas coisas que não têm explicação. Está no sangue. Eu era soldado no Realengo quando prenderam o Leônidas:

Logo Leônidas! Meu ídolo!

Eu ficava nas peladas, pedalando, pedalando e nada. Os amigos caçoavam. Mas eu ficava pedalando, pedalando. Não conseguia acertar a bola.

Eu queria ser Leônidas!

Então, me apresentei ao Leônidas na prisão. Ele falsificara o alistamento militar. Como eu também. Só que ele estava atrás das grades e eu de boca fechada. Acho que não gostavam muito daquelas pedaladas negras. Acho que não gostavam muito era da nossa cor. Mas depois do Leônidas, virei Flamengo. Não posso esquecer. Um dia o Leônidas me viu pedalando na cadeia e sorriu. Fiquei encabulado. Ele saiu de onde estava e caminhou até a bola. Lançou a pelota pra cima e acertou uma bicicleta de cinema.

No fim de semana, na pelada com os amigos, fiz como ele me ensinou. E acertei uma bicicleta no ângulo.

Ninguém mais caçoou de mim. Eu me tornei um ídolo. Ídolo de subúrbio, mas ídolo. Todo mundo me queria no time.

Tragédia!

Um dia, soltaram o Diamante. Por mim, ele ficava preso o resto da vida. Porém, lhe devolveram a liberdade de fazer gols. Tempos depois, eu soube da notícia. O São Paulo contratara Leônidas.

Mas não podia. Que levassem outro!

E um monte de torcedor foi esperá-lo na Estação do Norte lá em São Paulo. Eu fiz figa, rezei, roguei praga e o primeiro jogo dele foi um fracasso. O São Paulo empatou com o Corinthians e Leônidas nem andou em campo. Achei que iam devolvê-lo.

Qual o quê!

Eu devia imaginar que com Leônidas macumba nenhuma funcionava. E o São Paulo começou a ganhar. Até moeda botou em pé.

Como eu ia dizendo, meu amigo. Eu nunca gostei de São Paulo. Desde sempre. Uma dessas coisas que não têm explicação. Está no sangue. Agora vem o tal Corinthians e leva o Ronaldo! Tenha paciência.

Deixem o Flamengo em paz!!!!"



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