21 de dez. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA

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Não acredito em gato preto e vermelho.

Dito isso.

Não acredito em superstição.

Acredito em trabalho bem feito.

Acredito na persistência.

Embora saiba que no esporte, e na vida, o lado psicológico influi.

A superstição tem raiz etimológica no além.

O vocábulo define algo 'além da razão'.

Ora, meus senhores.

O irracional ganha jogo?

Ganha!

Quando a gente deixa!

Os jogadores do Náutico se habituaram ao ruído das arquibancadas.

Morrendo de medo do Sport.

Como os nordestinos.

Que morrem de medo dos sulistas.

O Sport e o Sul-Sudeste não são caipora.

Nem mula-sem-cabeça. Nem bicho-papão.

Já foram derrotados centenas de vezes.

Mas se a superstição aluga o coração de um indivíduo, ele está perdido.

Ele perde até dele mesmo.

Vamos lembrar algumas coisas, meus amigos.

O Chelsea passou 5 décadas sem levantar um título.

O Corinthians?

23 anos.

Corinthians que achava que tudo era questão de bater tambor.

Esquecendo que do outro lado tinha Pelé e Ademir.

Corinthians que queimava camisas e jogadores no varejo e no atacado.

O São Paulo?

O São Paulo de 1950 até 1970 era um saco de pancadas.

Só não tinha fogueira porque, convenhamos, a torcida do tricolor era de banqueiros.

Preferiam contar os milhões.

Botem uma coisa na cabeça de vocês:

"O Náutico não deve ter medo de ninguém!"

"O Náutico vai voltar a vencer o Sport milhares de vezes!"

Agora, por favor!

Deixemos de agir como a moçada da idade média!

Porque de uma coisa estejam certos:

Antes de ganhar do Sport.

O Náutico precisa vencer a si mesmo.

Golear a superstição que vê sapo enterrado em toda bandeirinha de escanteio...



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