Por ROBERTO VIEIRA
No inicio era a paixão.
A paixão pelo clube do coração.
Pela imaculada conceição do futebol.
O verde que te quero verde.
O vermelho que te quero vermelho.
E por aí vai.
As camisas brancas do Santos incendiavam a imaginação.
O azul Cruzeiro do sul.
O verde louro da flâmula nacional.
Castos.
Imaculados. Virgens.
A primeira tentativa de propaganda nos uniformes do futebol brasileiro foi atacada.
Crime.
A revista Placar publicou um enfurecido editorial:
"Nunca!"
Mas o capital chegou nas entrelinhas.
Os jogadores foram se transformando em outdoors ambulantes.
"Melhores salários! Melhores salários!"
Imitamos o esporte do primeiro mundo.
Indiferentes ao descaso do Barcelona e da seleção italiana.
Derradeiros redutos da paixão ancestral.
Hoje, os atletas são cockpits de Fórmula 1.
Chuteiras e aerofólios decorados pelo marketing.
O Corinthians e o fenômeno Ronaldo oferecem as mangas da camisa.
A gola.
Os meiões.
Restou da imaculada conceição do futebol, apenas a alma do torcedor.
Alma que não admite vender sua paixão por trocados, nem por milhões.
Alma que permanece imaculada.
Até o dia do apito final...
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