18 de dez. de 2008



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Por ROBERTO VIEIRA


No inicio era a paixão.

A paixão pelo clube do coração.

Pela imaculada conceição do futebol.

O verde que te quero verde.

O vermelho que te quero vermelho.

E por aí vai.

As camisas brancas do Santos incendiavam a imaginação.

O azul Cruzeiro do sul.

O verde louro da flâmula nacional.

Castos.

Imaculados. Virgens.

A primeira tentativa de propaganda nos uniformes do futebol brasileiro foi atacada.

Crime.

A revista Placar publicou um enfurecido editorial:

"Nunca!"

Mas o capital chegou nas entrelinhas.

Os jogadores foram se transformando em outdoors ambulantes.

"Melhores salários! Melhores salários!"

Imitamos o esporte do primeiro mundo.

Indiferentes ao descaso do Barcelona e da seleção italiana.

Derradeiros redutos da paixão ancestral.

Hoje, os atletas são cockpits de Fórmula 1.

Chuteiras e aerofólios decorados pelo marketing.

O Corinthians e o fenômeno Ronaldo oferecem as mangas da camisa.

A gola.

Os meiões.

Restou da imaculada conceição do futebol, apenas a alma do torcedor.

Alma que não admite vender sua paixão por trocados, nem por milhões.

Alma que permanece imaculada.

Até o dia do apito final...


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