
Por ROBERTO VIEIRA
Há 40 anos, o Brasil sofria sua pior goleada.
Um 5 x 0 inapelável.
Pior. Perdeu para um time de pernas-de-pau.
Time que não hesitava em baixar o sarrafo.
Tudo sob o olhar beneplácito dos juízes de aluguel.
"Cálice!"
Por ironia do destino, um comunista foi convocado para arrumar a seleção.
Por ironia do destino, o tal time tornou-se a melhor seleção da história do futebol.
Vinho tinto de sangue.
Naqueles dias, o generalato podia tudo.
Mandar, prender, torturar, matar. Desaparecer.
Tudo sob a proteção da famigerada lei.
Podia até escalar seu centroavante.
A esquerda gritava: "Marx!". O povo respirava: "Pelé!"
Os estudantes sonhavam: "Che!". A torcida pedia: "Jair!"
No silêncio dos campos de concentração, opostos.
O Brasil assistia o sequestro de diplomatas.
O Brasil assistia a conquista do Tri.
O Brasil era o bizantino milagre econômico pra frente Brasil.
Noventa milhões sem ação, dançando nas ruas.
Imaginando ser a liberdade um gol, um drible, uma novela das oito.
Enquanto isso, o exílio.
Assembléias fechadas. Censura fardada.
Ditadura.
Muitos dirão: "Que papo chato!"
Quero é saber de futebol.
Com a liberdade que o presente lhes concede.
Liberdade.
Essa senhora de mil vidas.
Essa senhora de mil faces.
Pela qual tantos deram a vida.
Sem a qual o gol de nada vale...
0 comentários:
Postar um comentário
Comentários