12 de dez. de 2008






Por ROBERTO VIEIRA

Há 40 anos, o Brasil sofria sua pior goleada.

Um 5 x 0 inapelável.

Pior. Perdeu para um time de pernas-de-pau.

Time que não hesitava em baixar o sarrafo.

Tudo sob o olhar beneplácito dos juízes de aluguel.

"Cálice!"

Por ironia do destino, um comunista foi convocado para arrumar a seleção.

Por ironia do destino, o tal time tornou-se a melhor seleção da história do futebol.

Vinho tinto de sangue.

Naqueles dias, o generalato podia tudo.

Mandar, prender, torturar, matar. Desaparecer.

Tudo sob a proteção da famigerada lei.

Podia até escalar seu centroavante.

A esquerda gritava: "Marx!". O povo respirava: "Pelé!"

Os estudantes sonhavam: "Che!". A torcida pedia: "Jair!"

No silêncio dos campos de concentração, opostos.

O Brasil assistia o sequestro de diplomatas.

O Brasil assistia a conquista do Tri.

O Brasil era o bizantino milagre econômico pra frente Brasil.

Noventa milhões sem ação, dançando nas ruas.

Imaginando ser a liberdade um gol, um drible, uma novela das oito.

Enquanto isso, o exílio.

Assembléias fechadas. Censura fardada.

Ditadura.

Muitos dirão: "Que papo chato!"

Quero é saber de futebol.

Com a liberdade que o presente lhes concede.

Liberdade.

Essa senhora de mil vidas.

Essa senhora de mil faces.

Pela qual tantos deram a vida.

Sem a qual o gol de nada vale...



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